Selinho

Selinho

14 de outubro de 2011

Infância


Sobre o ser criança...
Como criança que fui e jamais deixarei de ser (tudo o que vivi na infância está dentro de mim)  é gostoso lembrar de muitas coisas da minha vida. Das coisas que gosto de lembrar: a primeira bicicleta, verde da marca Caloi com guidão alto, das minhas bonecas Susi, das brincadeiras embaixo da árvore na casa das minhas amigas. Lá montávamos uma casa para as nossas Susis.Além das Susis também haviam as bonecas de papel, eu fazia coleção e como eu adorava isso. Assim como adoro lembrar os primeiros dias de aula, o cheiro da borracha, do livro novo. Isso tudo ainda está dentro de mim e quando eu por exemplo entro em uma livraria, lá vem os cheiros e os sentimentos da infância ...
Também tem o cheiro do leite quente na caneca de alumínio, cheiro que eu senti pela primeira vez quando fui visitar o Colégio Inácio Montanha, para cursar lá a segunda série. Cheiro inesquecível de escola grande, também jamais esqueci deste cheiro.
Cheiro de criança, é cheiro bom gostoso, de suor de brincadeira.
Agora que voltei ao trabalho e estou novamente no convívio dos pequenos, revivo em cada um  a criança que um dia fui, desejo muito ajudá-los a viver esse tempo de fantasia, esse tempo contraditório, que tem muita coisa boa, mas que é deveras difícil de entender, pois as angústias são muitas e precisamos de adultos que não tenham deixado a sua criança sufocada para ajudá-los neste processo que se chama crescimento.
Crescer não é fácil, muitas vezes dói, na maioria eu diria. Nas brincadeiras a realidade dá lugar a uma fantasia, essa fantasia nos faz capaz momentaneamente de suportar o sofrimento daquilo que é real.
Quando eu brincava no meu faz de conta, minhas bonecas não adoeciam, ninguém da minha família morria, enfim, na brincadeira é o lugar onde podemos ser felizes para sempre. Essa esperança é necessária na vida adulta para lidarmos com as desventuras que inevitavelmente ocorrerão.
E isso continua na nossa vida adulta, precisamos retomar outros brinquedos, buscar outras fontes de prazer e de viver um pouco de fantasia. Não para virarmos esquizofrênicos mas para não virá-los, porque tem muito que pode nos enlouquecer.
Quando somos criança dói encontrar um lugar no grupo. Ainda hoje como adultos é preciso encontrar um lugar, pertencer a algo e isso não é tarefa fácil. Eu conheço pessoas que se sentem "peixes fora da água", talvez se tivessem tido a experiência de terem sido ajudadas na infância...
Talvez fosse mais fácil...
Quando somos criança dói quando nos ridicularizam e isso dói muito, que as crianças não saibam o quanto dói ser xingada, tudo bem cabe a nós ensiná-las, mas quando é um adulto que ridiculariza, eu logo desconfio, das suas frustrações e desejo de vingar a criança que outrora foi.
Quando criança amamos os professores ou podemos também odiá-los, porém precisamos amá-los e muito.
Os professores também precisam desse amor, um amor que lhes ajuda a seguir em frente em meio a tantos desafios que hoje nosso sistema educacional nos impõe.
Então neste próximo dia dos professores o meu desejo, do fundo do coração, é que hajam muitos professores de bem com a sua infância, só assim poderemos ajudar esses pequenos a serem  felizes hoje e no futuro.
Cabe a nós uma parte das lembranças de uma infância feliz.
PS: Celebramos o dia da criança e o dia do professor no mesmo mês, por que será?

12 de outubro de 2011

Procurando Nemo e encontrando ajuda


Hoje assisti Procurando Nemo, um desenho animado, muito bom e para lá de especial.
Afinal no dia das crianças é bom deixar a nossa criança feliz, aquela que está sempre conosco, a nossa criança interna.
A maioria já deve ter assistido, mas a história é emocionante o filho que se perde do pai e vive uma grande aventura. O pai que sai a procura do filho e vive também uma grande aventura. É um desenho infantil, mas cheio de mensagens para nós adultos que achamos que a vida é precisa e que podemos sempre navegar por águas tranquilas.
Na verdade não é assim, a vida é cheia de inesperados e lidar com eles não é tarefa fácil, Nemo e o pai que o digam...
E eu me pergunto: o que faz um reencontrar o outro e suportar a ausência temporária e o afastamento?
Aí vejo que ao longo do filme, diversos personagens vão surgindo para estabelecer com eles relações de ajuda que farão com que eles consigam alcançar seus objetivos.
Na vida também é assim, em situações adversas a nossa vontade vamos encontrando pessoas pelo caminho que nos ajudam a vencer os medos e continuar a aventura, por mais difícil que ela seja.
A personagem Dory totalmente atrapalhada, mas também totalmente afetiva é minha favorita no quesito "ajuda", ela uma peixinha que esquece facilmente tudo, sabe desta dificuldade, mas não desisti de ajudar, mesmo dispondo de poucos recursos para fazê-lo, assume a tarefa de ajudar em uma missão quase impossível.
E agora cheguei no ponto que eu queria partilhar desde o início, na cena quase final onde o pai se reencontra com o filho, Dory é apanhada por uma rede de pescadores junto com vários outros peixes, e o que acontece então? Seria o fim para ela e Nemo resolveu ajudar de uma maneira totalmente corajosa mas eficaz, fazendo o grupo de peixes se unir e lutar por um mesmo objetivo, nadar para baixo e arrebentar a rede. O pai relutante pede que ele não faça, pois é quase impossível conseguir  e Nemo então responde:
- Pai eu sei que consigo.
Isso se chama fé! tudo conspira contra mas há uma força que não explicamos de onde vem que nos diz que somos capazes de fazer a tarefa.
Porém a fé sozinha não resolve tudo é preciso ação, e então ele começa a incentivar os peixes a nadarem para baixo e conseguem arrebentar a rede.
Esse desenho me fez pensar muito nas coisas da vida e de quantas vezes escutamos que uma determinada coisa é impossível, ou quando às vezes achamos que não iremos conseguir.
Tem uma música do Charlie Brown Jr, que diz o seguinte:
"PARA QUEM TEM PENSAMENTO FORTE O IMPOSSÍVEL É SÓ QUESTÃO DE OPINIÃO E DISSO OS LOUCOS SABEM,  SÓ OS LOUCOS SABEM..."
Com ela encerro este post.