Selinho

Selinho

23 de agosto de 2011

"Não te quero senão porque te quero". Pablo Neruda



Fiquei pensando se escreveria um post sobre esse assunto tão polêmico, mas após refletir um pouco acho que é necessário sim falar sobre isso.
A maioria das pessoas vive uma sexualidade em nada saudável, a busca da perfeição nas relações e nos corpos, na minha opinião já virou uma neurose coletiva.
Vivemos em um mundo onde o culto ao corpo perfeito, idealizado, é sonhado por muitos e muitas. Como sabemos que todos nós somos diferentes e singulares e o padrão de beleza é único, não tem como não haver frustração, independente do momento de vida em que se vive. Imaginem agora viver a sexualidade sem um pedaço importante no corpo de uma mulher, viver a relação sexual sem um seio. Não há nada mais feminino que um seio.
Atualmente o sexo é o assunto do momento, cada revista feminina promete uma nova técnica de como “segurar” o seu homem pela cama. O fato é que há muita discussão sobre o assunto, muita informação, muita gente transando “adoidado” e também muita gente se sentindo vazia, após cada nova transa,  Historicamente não dá para negar que a  revolução sexual foi super importante para que principalmente as mulheres tivessem o direito de sentir prazer sem culpa.O prazer é válido, é necessário, é pulsão de vida.
Porém há muitas formas de viver o sexo e acreditem a doença no meu caso não interferiu na maneira como eu sempre vivi minha sexualidade. Meu conceito deste assunto é muito simples, se eu quero, e o meu amor me quer, vai haver encontro, entrega, paixão, pois para mim essa é uma das maiores expressões de amor. Já ouvi amigas dizerem: “- Dizer eu te amo na hora da cama é muito fácil.” Eu digo o contrário, não há para mim momento mais lindo de se ouvir um “eu te amo’. Sexo para mim, não é só físico, é um encontro de almas, é um momento onde tudo o que importa está ali, naquela sensação de transcedência e olha que não sou adepta ao sexo tântrico...  Do físico, eu amo o toque, o olhar, o beijo e a espontaneidade do momento.
Como há de tudo nesta vida, logo que me operei, e retirei a mama, ouvi a seguinte observação: “- A Lu vai ter que dar um jeito, senão o Marcelo não vai aguentar ficar sem transar.” E eu digo que nunca fiz nada obrigada e nem com medo de perder o meu amor, porque se ele não entendesse isso, seria uma pessoa que não valeria a pena estar ao meu lado. Eu confesso que em muitos momentos foi impossível a relação sexual, principalmente após a quimioterapia, mas havia abraço, beijo, dormir agarradinho, coisas igualmente muito importantes e indispensáveis.
Muitas vezes admito que eu ficava constrangida, transei quase sempre de sutiã e de peruca, mas às vezes fiz amor sem me “travestir” e foi muito bom.
Lembro de uma consulta onde o Marcelo disse a oncologista que a nossa vida sexual estava igual, e ele falou com um certo orgulho, orgulho do nosso amor, da nossa cumplicidade da nossa entrega, isso sim não pode faltar em uma relação.
Sexo é muito bom, mas como tudo na vida tem que ser vivido de forma saudável, se é da vontade dos dois não há porque não acontecer, agora se um não quer o respeito deve ser levado em conta. Quem não quer nunca precisa de ajuda, às vezes de um terapeuta, ou de uma amiga, ou mesmo de um médico. Uma boa conversa com o parceiro também é importante, porque às vezes ele pode estar contrangido em buscar a parceira na relação. Falar sempre é o melhor remédio, porque se houver amor tudo pode ser resolvido.

2 comentários:

  1. Muito bonito o que tu escreveu Lu, realmente tu e Marcelo são um exemplo de amor familiar para mim e para o Gus! Adoro você, um beijo

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  2. Obrigada querida, bjão te amo tbém!

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