Selinho

Selinho

29 de agosto de 2011

Caminhada das vitoriosas


No dia 21 de agosto passado participei finalmente da caminhada das vitoriosas. Quem não sabe o que é isso vou explicar: trata-se de um evento organizado pelo IMAMA, instituição que se preocupa com o tratamento e prevenção do câncer de mama.A caminhada tem como objetivo demonstrar que quando descoberto a tempo o câncer de mama é curável. O sentimento de participar é indescritível, pois encontrei diversas situações que mexeram muito comigo, a gente revive um pouco o que passou, verificando os cabelos, as fisionomias de quem está ainda em tratamento. Mas a alegria é muito grande, vitória é uma palavra que representa muito bem o que queremos, vitória sobre o câncer, vitória para continuar vivendo, amando sentindo.
A morte sabemos um dia chegará, mas não precisa ser agora, agora acho que ela vai me dar um tempinho, assim espero. Na verdade, o que me consola é que não sabemos, somos totalmente ignorantes a este fato e esse talvez seja o desespero mais íntimo que todos compartilhamos. Não importa de que, nem quando, mas um dia ela - a morte-  vai bater na porta e todas as nossas ilusões de imortalidade irão por água abaixo.
É por isso que ninguém que tenha encontrado-a de frente continua sendo a mesma pessoa, duvido que isso aconteça.Não é que de uma hora para outra um Osama Bin Laden virará uma Madre Teresa de Calcutá, quando há falha no caráter, nem mesmo a morte tem o poder de modificar, porque psicopatas não a temem.
Eu como uma gente muito comum que sou, continua respeitando-a e quero sinceramente que ela me "erre".
Quero caminhar pela vitória, caminhar pela vida, caminhar pelas estradas, ainda por muitos e muitos anos.
A vida continua cor de rosa, olha só que ironia é a cor do IMAMA, e não tem cor que eu ame mais do que um cor de rosa choque.

25 de agosto de 2011

A forma de se querer...


No último post falei um pouco sobre esse assunto tão controverso que é a sexualidade.
Eu me abri, expus como vivo a minha e como vejo pessoas atrapalhadas vivendo apenas o sexo pelo sexo.
Daí me lembrei de como nos limitamos nos conceitos, sexo, não é de forma alguma somente uma relação sexual. Gosto mais de falar no conceito de sexualidade que envolve toda a forma de uma pessoa viver segundo aquilo que escolhe para si própria e tudo fica dito, no nosso jeito de vestir, na maneira em que nos comunicamos, na forma como fazemos certas escolhas. Pode acreditar está escrito na sua cara, não adianta a boca dizer outra coisa, se és bem resolvida ou bem resolvido, isso grita na sua maneira de viver. O que ocorre é que quando nos apaixonamos ficamos cegos diante dos sinais e muitas vezes podemos cair em armadilhas que se estivéssemos lúcidos jamais tombaríamos. Na minha opinião a paixão é quase um estado de loucura. Precisamos evoluir para o amor. Ora estamos muito bem resolvidas, obrigada, mas vai haver momentos de crise, como em qualquer outro aspecto dessa nossa vida "multi" tudo.
Não demorou muito para eu pensar em um casal amigo que passou por um longo período de doença e de hospitalização e a relação mais íntima que eles podiam ter era a troca de olhares, nada de ficar de mãos dadas, nem de se abraçar, a condição imunológica dele não permitia isso. Poderíamos dizer que não houve relação íntima durante esse tempo. Garanto que houve a relação mais íntima de todas, aquela comunhão de desejos, olhares e vontades. Não houve contato físico, mas houve contato de almas. Uma relação que se fortalece na dor, fica muito mais madura. Pode haver dor, mas pode haver decisão de não fazer disso um sofrimento e uma lamúria permanente. Basta ser grata por tudo, grata pelo amor que é possível viver no momento, grata pelo imenso prazer de poder se olhar e reconhecer no outro o mesmo desejo de amar.

23 de agosto de 2011

"Não te quero senão porque te quero". Pablo Neruda



Fiquei pensando se escreveria um post sobre esse assunto tão polêmico, mas após refletir um pouco acho que é necessário sim falar sobre isso.
A maioria das pessoas vive uma sexualidade em nada saudável, a busca da perfeição nas relações e nos corpos, na minha opinião já virou uma neurose coletiva.
Vivemos em um mundo onde o culto ao corpo perfeito, idealizado, é sonhado por muitos e muitas. Como sabemos que todos nós somos diferentes e singulares e o padrão de beleza é único, não tem como não haver frustração, independente do momento de vida em que se vive. Imaginem agora viver a sexualidade sem um pedaço importante no corpo de uma mulher, viver a relação sexual sem um seio. Não há nada mais feminino que um seio.
Atualmente o sexo é o assunto do momento, cada revista feminina promete uma nova técnica de como “segurar” o seu homem pela cama. O fato é que há muita discussão sobre o assunto, muita informação, muita gente transando “adoidado” e também muita gente se sentindo vazia, após cada nova transa,  Historicamente não dá para negar que a  revolução sexual foi super importante para que principalmente as mulheres tivessem o direito de sentir prazer sem culpa.O prazer é válido, é necessário, é pulsão de vida.
Porém há muitas formas de viver o sexo e acreditem a doença no meu caso não interferiu na maneira como eu sempre vivi minha sexualidade. Meu conceito deste assunto é muito simples, se eu quero, e o meu amor me quer, vai haver encontro, entrega, paixão, pois para mim essa é uma das maiores expressões de amor. Já ouvi amigas dizerem: “- Dizer eu te amo na hora da cama é muito fácil.” Eu digo o contrário, não há para mim momento mais lindo de se ouvir um “eu te amo’. Sexo para mim, não é só físico, é um encontro de almas, é um momento onde tudo o que importa está ali, naquela sensação de transcedência e olha que não sou adepta ao sexo tântrico...  Do físico, eu amo o toque, o olhar, o beijo e a espontaneidade do momento.
Como há de tudo nesta vida, logo que me operei, e retirei a mama, ouvi a seguinte observação: “- A Lu vai ter que dar um jeito, senão o Marcelo não vai aguentar ficar sem transar.” E eu digo que nunca fiz nada obrigada e nem com medo de perder o meu amor, porque se ele não entendesse isso, seria uma pessoa que não valeria a pena estar ao meu lado. Eu confesso que em muitos momentos foi impossível a relação sexual, principalmente após a quimioterapia, mas havia abraço, beijo, dormir agarradinho, coisas igualmente muito importantes e indispensáveis.
Muitas vezes admito que eu ficava constrangida, transei quase sempre de sutiã e de peruca, mas às vezes fiz amor sem me “travestir” e foi muito bom.
Lembro de uma consulta onde o Marcelo disse a oncologista que a nossa vida sexual estava igual, e ele falou com um certo orgulho, orgulho do nosso amor, da nossa cumplicidade da nossa entrega, isso sim não pode faltar em uma relação.
Sexo é muito bom, mas como tudo na vida tem que ser vivido de forma saudável, se é da vontade dos dois não há porque não acontecer, agora se um não quer o respeito deve ser levado em conta. Quem não quer nunca precisa de ajuda, às vezes de um terapeuta, ou de uma amiga, ou mesmo de um médico. Uma boa conversa com o parceiro também é importante, porque às vezes ele pode estar contrangido em buscar a parceira na relação. Falar sempre é o melhor remédio, porque se houver amor tudo pode ser resolvido.

16 de agosto de 2011

Diga Sim!


Muito engraçado o que um amigo meu disse sobre as minhas atitudes atuais, eu estou pior que arroz de festa, não perco nada.

Se o convite é para comer um peixe, sim, irei.
Vamos cozinhar para algumas pessoas, sim pode contar comigo.
Se é para caminhar, sim.
Se é para ir dançar, sim
Se é para tomar um "espumantezinho", sim.
Vamos tomar um chimarrão? Lógico.
Vamos ir no show do Rick Martin, não vou perder por nada!
Vamos sair para dançar, sendo já meia noite e meia, já fui...
Vamos fazer uma tatuagem, já fiz, quem sabe outras ...
Quem sabe andar a cavalo, tô dentro, só preciso reforçar um pouco mais a musculatura dos braços.
Descobri que o tempo é curto, e é perda de tempo ficar em casa sem aproveitar.
Vamos para a academia, sim, vamos. Eu tenho ido, minha meta é ser viciada em endorfina e vou conseguir.
Hoje enquanto fazia musculação, pensava que essa é a nova missão, ficar com um ótimo condicionamento físico, e como já disse que amo o capitão Nascimento, penso no que ele disse:  Missão dada é missão cumprida!!!
O sim também nos lembra da liberdade de escolha, que coisa boa quando se pode escolher, sabemos que a liberdade muitas vezes é relativa, mas há uma sensação de muito liberdade quando fazemos escolhas conscientes.
Do ponto de vista espiritual, estou vivendo o sim que inspira a minha invocação preferida de Nossa Senhora: Nossa Senhora do Sim, pois ela como nenhuma outra pessoa deste mundo, disse sim a vida, a vida de todos nós, por este sim conhecemos a salvação que veio do seu filho Jesus.
Um sim que me lembra também o trecho de um a música que eu gosto muito:
"Sim eu quero que luz de Deus que um dia em mim brilhou jamais se esconda e não se afaste de mim o seu fulgor."
Que assim seja!



9 de agosto de 2011

Sou filha do céu





"Existem pessoas que têm o dom de nos roubar, existem pessoas que têm o dom de nos fazer esquecer quem somos, mas existem outras que têm o dom de nos devolver e de nos fazer lembrar quem somos. Este foi o grande poder do olhar de Jesus, o olhar de Jesus atingia e fazia aquela pessoa recordar-se que ela era filha do céu! Um diamante mesmo quando sujo continua sendo diamante, mesmo quando ele está com a aparência de barro e de cascalho, lá dentro a dignidade está preservada: é diamante! E a sua vida é isso, pode ser que em algum momento da sua história você tenha se sentido cascalho, só sentido, porque você não é, você é diamante precioso!”. Padre Fábio de Melo

8 de agosto de 2011

All you need is love






As fotos acima foram feitas no bar Mão Santa, aqui na zona sul de Porto Alegre, excelente lugar, comida ótima e música melhor ainda, curtimos os Sunset Riders, nesta noite tomei o primeiro "pilequinho", não fiquei bêbada, só um pouco mais alegre, foi engraçado.
Na verdade já sou meio louca de cara limpa mesmo, sempre fiz a festa sem beber nada, mas como estou aberta a novas experiências, foi interessante.
Ontem revi o filme "Antes de Partir", com os excelentes Jack Nicholson e Morgan Freeman e fiquei muito emocionada. A primeira vez que assisti, não tinha o câncer ainda no meu currículo. O filme vale a pena, não só pela maravilhosa atuação desta dupla de feras, mas também porque passamos a refletir sobre o que realmente importa nessa vida. No que mesmo devemos investir, e sim podemos escolher como vai ser o nosso "Grand finale", basta todo dia estar preparada para ele, pode ser a qualquer momento, não se iluda! Portanto resolvi deixar picuinhas de lado e ressentimentos também, são perda de tempo.Não dou a mínima se acham isso ou aquilo de mim, estou preocupada muito em viver muito bem ao lado de quem eu mais amo neste mundo, preocupada em fazê-los felizes e muito, é só isso que interessa no final das contas: All you need is love!!!

2 de agosto de 2011

A alegria de ver um filho encaminhado ...



Esse da foto é o Raphael, meu filho mais velho que se forma agora em 10 de setembro. Estamos nos preparativos para a festa de formatura, como ele mesmo disse:
- Esse ano é só coisa boa!!!