Selinho

Selinho

1 de julho de 2011

Quem tem pena que se "despene"



Eis uma coisa que me irrita: Piedade. Gosto de ser amada e não de que tenham pena de mim, até porque não há motivos para isso, tudo o que passei é da vida, não há nada de tão anormal nisso.
Como eu ouvi de alguém no auge da doença de forma até um pouco cruel: - Tu é forte, aguenta.
É eu aguentei.
Assim como a saúde faz parte da nossa vida, a doença vez ou outra também; de um simples resfriado até um tratamento de câncer, quando estamos doentes, nos sentimos muito frágeis, mas isso não quer dizer que queremos sentimentos de piedade por nós, por favor, já há muitos problemas em jogo, não precisamos lidar com mais um. Geralmente a pena é o medo da pessoa que sente de ficar também doente, então para não "correr o risco" e tentar ter um controle, temos pena. Quando substituímos a pena por amor a dinâmica é outra: o amor é exigente, espera que a pessoa que está doente reaja, então propõe programas, fica junto quieto quando a situação está bem ruim, logo em seguida encoraja, não minimiza, mas também não maximiza. Só para lembrar que com esse frio aqui no Sul, a gripe já matou muita gente também! Claro que irão me dizer que o sofrimento do paciente com uma doença como é o câncer é maior, respondo que não sei, qualquer doença é ruim e sofrimento é uma coisa difícil de mensurar. O que é fato é que quando somos nós os sofredores isso geralmente é maximizado, não para gerar pena, na verdade a nossa dramaticidade serve para exorcizar os demônios que nos assombram e o maior deles é o medo de morrer.

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