Selinho

Selinho

16 de maio de 2011

Pensando...


Hoje faz 20 dias da cirurgia e estou muito bem, tudo indo como o esperado.
Dessa vez me cuidei bem mais, não me expus muito, fiquei mais quietinha em casa e está dando tudo certo.
Estou em casa me recuperando e pensando nas ilusões de controle que tenho.
Estou aos poucos compreendendo que o que o câncer foi algo que veio  porque tinha que vir, fazia parte da minha história, mas eu aproveitei para mudar a minha vida naquilo que eu precisava mudar e fortalecer aquilo que eu já tinha e não dava tanta atenção. Não quero achar que ele foi uma consequência, porque isso leva as pessoas a acharem que eu poderia tê-lo evitado, o que não é verdade. Fato mesmo é que ninguém é tão onipotente assim que pode fazer-se adoecer ou fazer-se curar. Tem um elemento nisso tudo chamado sorte ou plano de Deus, cada um escolhe o nome baseado nas suas crenças pessoais. O momento da descoberta da doença é um pouco isso, se eu esperasse um pouco mais para fazer a mamografia poderia estar vivendo uma história diferente. Acho que eu aprendi e continuo aprendendo muito sobre a minha vida e sobre a importância de realizar exames periódicos.
O câncer de mama é curável em 95 % dos casos, desde que descoberto em tempo hábil. Fazer exames de rotina, preocupar-se com a saúde é uma forma de evitar maiores problemas e ter uma vida mais longa. Claro que não posso negar que questões psicológicas atuam também sobre o nosso corpo, porém não há nada que garanta que podemos produzir sozinhos uma doença ou uma cura. No meu caso quis ficar curada e usei tudo que estava a minha disposição, todos os recursos para me manter emocionalmente e fisicamente bem. Da quimioterapia até as atividades físicas, passando pelas horas de terapia, fiz tudo o que eu achava que me daria qualidade de vida e deu certo. Porém já convivi com quem também tentou de tudo e não conseguiu se manter vivo e vejo nessas pessoas também vitória, porque encararam de frente aquilo que estava acontecendo, acho que cada um pode dar um significado para tudo que está vivendo e um significado positivo, por mais negativo que seja o quadro. Há também quem não queira enfrentar e resolva negar, vivendo até o último minuto sem ver o que está passando, cada um escolhe como quer viver, e não cabe  a ninguém julgar, o que a maioria não consegue  e isso é que deixa o nosso desejo de onipotência e de controle loucos, é escolher como irão morrer. Isso acontece para todos, independe da nossa vontade e escapa do nosso planejamento, sem dúvida alguma morrer não está nos nossos planos.

3 comentários:

  1. Olá Luciane. Bacana sua iniciativa em compartilhar sua experiência com outras pessoas. Tenho uma irmã que foi diagnostica há 6 anos. O dela foi no intestino. Foi terrível ao descobrir. Mas concordo plenamente com você. Ninguém tem este poder em escolher adoecer ou curar-se. Ela, hoje com 30 anos, está super saudável, curada, para honra e glória do Senhor. Este tipo de situação, realmente faz com nós refletimos sobre tudo, inclusive sobre a nossa utilidade neste mundo... Foi muito bom conclecer sua história. Desejo muita saúde. Que você usufrua com sabedoria a dádiva da vida.

    ResponderExcluir
  2. Desejo que igualmente vc e sua família tenham muito amor e saúde!

    ResponderExcluir
  3. Lu, a melhor coisa mesmo é pôr pra fora nossos sentimentos. Isso que vc fez aqui é uma terapia para você acreditar em você mesma.
    Não concordo com algumas partes, mas isso não importa. O que importa é você sobreviver e estar feliz. Parabéns...

    ResponderExcluir