Selinho

Selinho

6 de abril de 2011

Transformação


É impressionante a vontade de mudança que me invade após essse processo que eu passei.
Quero mudar muitas coisas na minha vida e agora mais do que em qualquer outro momento da minha vida me sinto ansiosa e angustiada, nem o câncer me deixou tão agitada.
O processo de tratamento é uma tarefa e como tal tem que ser cumprida, me lembrava sempre do personagem  Capitão Nascimento da Tropa de Elite: "Missão dada é missão cumprida!" E assim foi, uma missão de guerra, um aparato "bélico" para vencer qualquer "bandido" que pudesse ainda estar entranhado em mim. Talvez essa relação de guerra é o que explica a minha fascinação pelo personagem Nascimento, durante o tratamento temos também que enfrentar emboscadas, colocar na parede o inimigo e temos que ter alguma fantasia para nos ajudar a enfrentar uma dura realidade, uma farda ajuda a tornar mais leve a empreitada.
Mas enfim tudo passou, mas nada voltou ao que era. Essa desacomodação nos causa um sentimento ambivalente estou muito feliz porque estou curada, mas quero uma vida mais perto da normalidade. Quero um corpo novamente inteiro e não me venham com a história de que o importante é ter saúde, sim é o essencial, mas quando a recobramos queremos todo o resto também.
Esses dias fui consultar na clínica e encontrei outras mulheres na mesma situação que eu, e elas disseram a mesma coisa:
Quero agora mudar a minha vida, vou cuidar de mim.
Porque não fazemos isso antes? me pergunto, porque não prevenir que a doença chegue?
Me senti com tanto em comum com essas mulheres, Me senti em meio a iguais.
Na verdade me consolei de que nós temos a chance ainda da transformação de fazer diferente, de estar de novo possibilitadas a recomeçar.
Recomeçar é sempre bom e sempre ruim, pois envolve a idéia de novidade, mas envolve também a idéia de insegurança.
Estou recomeçando cheia de vontade, desejos, ideias, mas também com um grande friozinho na barriga.
Fernando Pessoa já disse e eu já repeti milhares de vezes:
"Navegar é preciso,
viver não é preciso..."
Lá vou eu navegar por mares desconhecidos...

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