Selinho

Selinho

26 de abril de 2011

Reconstrução



Com um friozinho na barriga, mas com muita fé encaro hoje a cirurgia de reconstrução da minha mama, será às 15:30 no Hospital Dom vicente Scherer,rezem por mim!
Deus na sua infinita misericórdia nos lançou meios para que possamos apesar de todo o sofrimento sentido virarmos a página e recomeçar a nossa história. 
Neste recomeço levamos a bagagem dos aprendizados sofridos que nos fazem mais experientes e muito mais ricos de humanidade. Podemos enfim deixar para trás o velho e abraçar o novo. Tudo novo de novo.
O novo dá medo, gera insegurança, temos que reaprender a viver novamente, uma nova realidade, a covardia quer nos convencer que melhor seria deixar tudo como está, para que mexer no que não está te incomodando?
É preciso querer se incomodar para mudar, é preciso muita coragem, muito amor por si, pois Clarice Lispector já disse: "Só o que está morto não muda".
Toda mudança gera desconforto, mesmo quando é para melhor. Lembro-me bem dos primeiros anos de casada, nos mudamos 7 vezes antes de irmos finalmente para nossa casa e quando fomos, eu senti um misto de felicidade e nostalgia, felicidade porque enfim havíamos conquistado a nossa casa, nostalgia porque em cada casa que passávamos deixávamos um pouquinho das nossa vidas, nossas alegrias, nossas dificuldades, nosso amor; nestas mudanças estávamos caminhando sempre para um espaço melhor, como entender o saudosismo? Era saudade do que já tínhamos vivido.
Tem um programa de tv que se chama perder para ganhar, é um programa voltado para pessoas obesas que precisam perder peso para ganhar saúde. Fico pensando neste título e no quanto ele é inteligente, pois no jogo da vida a dinâmica se dá no ganha e perde, perde e ganha, de forma cíclica e quase lúdica. O fato é que quase nunca nos focamos no que iremos ganhar e ficamos atrelados a perda, desta forma deixamos o jogo passar...
Eu penso que viver é correr e administrar riscos, uns maiores, outros menores, mas tudo sem dúvida alguma nos fará crescer.

19 de abril de 2011

O que a cruz me ensina ...



Páscoa
Morte e Ressureição - "Eu vim para que todos tenham vida."

Estamos na semana santa e para os cristãos é uma semana de muita meditação.
Meditar a paixão de Cristo, sua morte e sua ressurreição, olhar para a vitória da cruz, sem medo.
O que será que Jesus quer me dizer quando está na cruz?
O que será que Jesus me ensina quando ressuscita?
São indagações deste momento, deste tempo santo.
A mim Jesus ensina o valor do Amor, o amor que a tudo vence inclusive a morte.
Me ensina que “cruzes” fazem parte da minha vida e é preciso carregá-las.
Me ensina que todo o sofrimento que posso sentir pode ser amparado e entendido pela sua presença sobrenatural na minha vida.
Me ensina que é possível ressuscitar para o amor e morrer para os desafetos, as mágoas, as palavras proferidas sem pensar.
Me ensina que para amar de verdade os outros é preciso querer esquecer o mal e só me lembrar do bem que me foi feito.
Me ensina que uma vida feliz é possível agora neste mundo e que o céu começa aqui.
Me ensina que julgar faz sofrer tanto e quanto a quem se julga.
Me ensina que é preciso amar a cada um como se fosse a última vez que o vemos, pode ser que seja mesmo.
Me ensina que perdoar é divino, mas desejar o perdão pode ser humano.
Me ensina que palavras são armas poderosas capazes de fazer o máximo de bem e o máximo do mal.
Me ensina que todos são bons e dignos de amor, basta que acreditemos sinceramente nisso.
Me ensina que a vida é um segundo, passa rápido e viver é uma dádiva da qual devemos agradecer constantemente.
Me ensina que dois mil anos passam em um piscar de olhos, o que sobra para 80 anos? 
Então eu vejo que o lance é ser feliz no tempo que me cabe, seja ele qual for.
Um abraço com carinho e um desejo de uma Feliz e abençoada Páscoa,

11 de abril de 2011

Dolce far niente

Eu estou aprendendo o que quer dizer a expressão italiana:  "dolce far niente", o prazer de não fazer absolutamente nada por algumas horas ou até dias.

Não precisar fazer nada, escolher ficar ouvindo uma música, mesmo quando a casa pede uma arrumação e tens horário para chegar no trabalho, a casa que espere...
Agora estou ouvindo minha música preferida e se chegar alguém aqui em casa agora me encontrará de camisola, "despenteada" e feliz. Feliz pelo prazer de estar comigo mesma, os filhos estão no trabalho ou escola o marido também  eu aqui "me curtindo".
Isso para mim é uma revolução, pois era escrava da opinião alheia, hoje algumas opiniões para mim são importantes, outras simplesmente descarto. Abri mão de agradar a todos e resolvi me agradar, a leveza que isso me traz é impressionante.
Os italianos tem essa expressão maravilhosa que reflete uma necessidade pouco atendida.
Me pergunto será por isso que eles parecem mais alegres? Mais autênticos? Mais intensos?
Descobriram o segredo da vida, que é viver cada minuto como se fosse o último?
Viver é urgente e às vezes eu perco tempo com mesquinharias,  agora vou tirar o pó da casa, cantando...

6 de abril de 2011

Transformação


É impressionante a vontade de mudança que me invade após essse processo que eu passei.
Quero mudar muitas coisas na minha vida e agora mais do que em qualquer outro momento da minha vida me sinto ansiosa e angustiada, nem o câncer me deixou tão agitada.
O processo de tratamento é uma tarefa e como tal tem que ser cumprida, me lembrava sempre do personagem  Capitão Nascimento da Tropa de Elite: "Missão dada é missão cumprida!" E assim foi, uma missão de guerra, um aparato "bélico" para vencer qualquer "bandido" que pudesse ainda estar entranhado em mim. Talvez essa relação de guerra é o que explica a minha fascinação pelo personagem Nascimento, durante o tratamento temos também que enfrentar emboscadas, colocar na parede o inimigo e temos que ter alguma fantasia para nos ajudar a enfrentar uma dura realidade, uma farda ajuda a tornar mais leve a empreitada.
Mas enfim tudo passou, mas nada voltou ao que era. Essa desacomodação nos causa um sentimento ambivalente estou muito feliz porque estou curada, mas quero uma vida mais perto da normalidade. Quero um corpo novamente inteiro e não me venham com a história de que o importante é ter saúde, sim é o essencial, mas quando a recobramos queremos todo o resto também.
Esses dias fui consultar na clínica e encontrei outras mulheres na mesma situação que eu, e elas disseram a mesma coisa:
Quero agora mudar a minha vida, vou cuidar de mim.
Porque não fazemos isso antes? me pergunto, porque não prevenir que a doença chegue?
Me senti com tanto em comum com essas mulheres, Me senti em meio a iguais.
Na verdade me consolei de que nós temos a chance ainda da transformação de fazer diferente, de estar de novo possibilitadas a recomeçar.
Recomeçar é sempre bom e sempre ruim, pois envolve a idéia de novidade, mas envolve também a idéia de insegurança.
Estou recomeçando cheia de vontade, desejos, ideias, mas também com um grande friozinho na barriga.
Fernando Pessoa já disse e eu já repeti milhares de vezes:
"Navegar é preciso,
viver não é preciso..."
Lá vou eu navegar por mares desconhecidos...