Selinho

Selinho

23 de março de 2011

O perfil Câncer de Mama


Andei "viajando" por outros blogs de mulheres que como eu tiveram câncer de mama e tive uma surpresa ao me identificar com cada uma delas. A identificação não vem da doença e sim da forma como se comunicam, do estilo de vida, e da maneira de pensar.
O que vou dizer agora, não tem nada a ver com nenhum fator científico são especulações minhas a respeito do tema.
Dos blogs que eu visitei, não encontrei nenhuma mulher sozinha, ou eram casadas, ou tinham namorado, a maioria é mãe, tem algumas jovens que ainda não são, mas se Deus quiser vencerão a doença e ainda serão. Tem mais de um filho, não raro três. Referem que recebem muito amor e muito apoio de marido, filhos e amigos.
Ou seja são pessoas "populares", de muitos amigos, que fazem de tudo para todos também.
Daí já viu, né? Comecei a pensar...
Quando fiquei doente, fiquei tentando achar uma explicação. Não raras vezes ouvi que o câncer é associado a depressão. Eu mesma julgava assim, acreditava que era uma forma de "suicídio inconsciente", que por alguma razão a pessoa estava com vontade de morrer.
No meu caso fiquei até bem pouco tempo buscando o motivo dessa tal vontade inconsciente e não encontrei ela em lugar nenhum. Quero muito viver e viver bem e isso não é pecado.  Somos pressionados culturalmente  a nos sentir responsáveis até pelo câncer que temos. Com certeza há um perfil, mas pasmem, é um perfil feliz, só que precisa de ajustes.
O que motiva então o câncer? Não existe uma unica causa, são muitos os fatores que agem nas nossas vidas e que fazem nosso organismo entrar em desequilíbrio. Pessoas que vivem muito para os outros e se olham pouco, que querem ajudar todos a sua volta e ajudam efetivamente, mas que em contrapartida muitas vezes não se ajudam.
Abnegação é muito bom, mas demais adoece.  O seio tem um significado muito particular para uma mulher, pois é por ele que nutrimos a vida de nossos filhos e não raro de outros bebês que necessitam de leite materno. Eu mesma há vinte e tantos anos atrás fui ama de leite de mais dois bebês que nasceram prematuros e precisavam deste leite. Eram outros tempos não tínhamos a AIDS por aí e dar o seio era uma forma de ajuda a outras mães. Sempre tive muito leite e amamentei meus filhos até os dois anos de idade, em média, uns mais outros menos. O hábito de amamentar não se restringia somente aos meus filhos, muitas vezes eu fui literalmente uma "teta" para muitos que me cercavam. Me sentia na obrigação de ajudar, de ser suporte, de dar tudo de mim.  E eis o erro: dar tudo. No meu ponto de vista nos esvaziamos tanto que falta energia para que possamos nos manter com saúde. Não raro também apesar de todos os nossos esforços em agradar a tudo e a todos nos decepcionamos quando colocamos o primeiro limite, aquele fundamental, para que continuemos vivas, somos rechaçadas e nos sentimos em desvantagem, daí para sentar no banquinho da vítima é um pulo. E se assumirmos esse papel então poderá ser o nosso fim, porque como vítimas não nos resta fazer nada a não ser posar de incompreendidas e lá se vai a oportunidade de crescer.
No meu caso perdi o seio para parar de amamentar sem critério. Hoje escolho o que eu quero nutrir. Não me sinto mais em desvantagem, consegui, com muita terapia a perceber que o que eu fiz foi válido em um determinado momento da minha vida e agora é hora de descobrir o momento de dar um beijo em mim.
Três anos seguidos, eu ouvi a mesma frase de um padre amigo e não entendia: - Filha dá um beijo em ti.
- Hoje compreendo Padre Sallet o que o senhor queria me dizer...

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Penso que estar viva é correr riscos..alguns preferem se enganar e pensar em caminhos perfeitos,mas há dias de sol e tempos de chuva(muita chuva!!).
    ps:quem está na chuva ;é pra se molhar..molhar e viver!
    Um beijo !

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