Selinho

Selinho

9 de fevereiro de 2011

A DOR DE CADA UM


Estou ainda processando os dados de tudo que mudou na minha vida a partir da experiência com o câncer.
Conclui algumas coisas, conversando com as pessoas que já tiveram a doença, ou não.
O modo como encaramos esse processo, é único.
Eu tive muita vontade de colocar tudo para fora, prova é a existência desse blog. Mas tem gente que não consegue ou não quer falar no assunto. Tem gente que não pode parar de trabalhar, que tem filhos pequenos, que precisa continuar fazendo todos os afazeres domésticos, porque não tem quem os faça. Tem gente que se fecha no quarto e tem gente que não para em casa.
Tem gente que sente muitas dores físicas e há os que não sentem dor alguma.
Quando há dor física, não há espaço para pensar. Quando há dor é na alma, ainda há uma chance de repensar.
O fato é que a dor de cada um é sem medidas, não existem maiores nem piores, só existem , dores diferentes e maneiras diferentes de lidar com o que está acontecendo.
Para lidar com a dor há de tudo e cada pessoa escolhe o que vai lançar mão. Escolhe ou é escolhida, pois quase sempre neste caso a liberdade é algo escorregadio. É mais fácil se deixar levar pelas circunstâncias, do que escolher enfrentá-las. Cada um, com os recursos internos que possui, vai ter que dar conta desta demanda de vida. A vontade de viver tem que ser maior do que a vontade de morrer, este é o único fato que pode ser comum para enfrentar a dor. Mas há também quem queira morrer. Há os que não podem lutar contra uma doença em estágio avançadíssimo. Mas ainda assim, quando a possibilidade de morte é bem real, podemos escolher morrer com dignidade.
Em todos os casos podemos fazer deste momento de vida uma oportunidade para desenvolver a amorosidade, a empatia, a resiliência, o sentimento de seguir em frente de se tornar uma guerreira. Foi assim que me sentia, fui para guerra, voltei venci uma grande batalha, as marcas estarão para sempre no corpo e na alma, as do corpo tem como minimizá-las com o tempo, espero que as da alma também.
Na busca de força para continuar o amor é o que fala mais alto porque uma vida só vale a pena ser vivida se for no amor, senão a gente corre o risco de já ter morrido e não ter percebido. Não há quem aguente viver a dor maior que é viver sem amor.
PS: A imagem acima é do filme "Minha vida sem mim".

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