Selinho

Selinho

19 de fevereiro de 2011

De Piruá à Pipoca ...


Na manhã de sexta feira quando acordei, tinha uma lua parecida com esta no caminho que fiz até o centro da cidade. Foi o primeiro dia de algo novo na minha vida: o Projeto Piruá. Confesso que foi um dia muito feliz do início ao fim, estou indo fazer aquilo que eu mais gosto que é trabalhar as questões humanas e as suas transformações. Descobri que para permanecer pipoca necessitamos de muito empenho, senão lá estamos nós "piruás" de novo...
Piruá para quem ainda não entendeu é aquele milho que não estourou, não virou pipoca, mesmo passando pelo fogo. Aquele milho que se recusou a ser "cambiado".
Quanto a mim estou lutando para continuar pipoca.
Quanto a minha amiga, também é uma pipoca e daquelas as quais causam em nós admiração.
O projeto Piruá nasceu desta transformação que passei e da transformação pela qual minha amiga e parceira no projeto também passou.
 O objetivo deste trabalho é levar aos educadores, aos profissionais da saúde, aos casais, às mulheres, um momento de auto-cuidado, de se olhar, de se perceber e de se resignificar a partir das próprias experiências sejam elas boas ou ruins.
O primeiro encontro foi muito legal e terminamos o dia com a sensação maravilhosa de missão cumprida.
Acredito que esse trabalho me ajudará muito, pois olhando as experiências de vida de outras pessoas, vejo que eu posso crescer como pessoa.
Daí pensei que a minha vida passou pelo fogo durante quase um ano, e eu virei uma "pipoquinha", agora eu preciso ajudar a estourar milhos por aí, lutar para que os momentos "piruás", sejam mais raros dos que os momentos pipoca, primeiro na minha vida e depois na vida dos outros.
Cheia de desafios, com uma energia grande para o trabalho e muita vontade de viver é assim que hoje me sinto.
Obrigada meu Deus, pelo fogo, sem ele, não teria virado Pipoca.

11 de fevereiro de 2011

Luzes e sombras


Ando muito ligada no que está acontecendo no meu dia. estou atenta ao que falo, ao que escuto e descobrindo aos 42 anos, nunca é tarde, como é que o mundo gira. Antes eu achava que ele girava conforme a minha vontade e aí está o meu maior defeito, o chefão dos meus pecados: o orgulho. Pensava que todo mundo iria torcer por mim, iria rezar para que eu ficasse bem enfim me achava uma unanimidade. Que louca!
que orgulhosa, eu achava que podia escolher olhar o mundo e não ver certas imperfeições, acreditava na liberdade total do ser humano de escolher entre o bem e o mal. Escolhas que não são simples, muitas vezes o que julgamos bem pode ser o mal para alguém. Então, de novo penso, que há muito o que  ver e aprender.
Tudo isso para dizer que alguns tipos de pessoas tem me incomodado muito. Por exemplo: as pessoas queixosas que fazem seus dramas maiores do que são, estou sem paciência nenhuma para essa gente, desculpem, é até politicamente incorreto admitir, mas não tenho mais vocação para aguentar quem não se aguenta. De novo vejo aí a "pontinha" do meu orgulho falando alto, porém faço questão de não chutar cachorro morto, ou seja todo mundo merece respeito. Também acho que a vida da gente é recheada de luzes e sombras e que às vezes o que incomoda no outro pode ser o que nos incomoda em nós mesmos.
Pode ser... não é que seja, porque eu por exemplo estou também sem paciência com pessoas invejosas e dos pecados que me "orgulho" de não possuir a inveja é um deles. Então eu vejo pessoas vibrando porque foram promovidas, porque vão viajar, porque estão bem e felizes simplesmente e quero vibrar com elas, quero estar junto. Se não vou junto na viajem digo que se lembre de mim e traga uma foto, envie um e-mail, mas estou feliz contigo é o que eu quero dizer. Mas quando vejo alguém sendo medíocre botando pulga nas orelhas de quem está feliz, me dá cá uma raiva... daí respiro fundo, porque na maioria das vezes não me diz respeito o que está acontecendo e procuro, quase nunca consigo é bem verdade, olhar o invejoso com misericórdia e penso: que triste, não é capaz de conseguir e fica agourando o outro.
Por isso a gente vai ficando madura e mais seletiva, respeitar quem está ainda assim preocupado com a vida dos outros e não com a própria, tudo bem, mas respeito não é presença, não é amizade, pode ser respeitar à distância.
Quando farejo alguém assim perto de mim, rezo para todos os santos e peço proteção, São Jorge tem a melhor oração e peço:
- Cuida dessa pessoa que ela seja bem feliz, longe de mim!

9 de fevereiro de 2011

A DOR DE CADA UM


Estou ainda processando os dados de tudo que mudou na minha vida a partir da experiência com o câncer.
Conclui algumas coisas, conversando com as pessoas que já tiveram a doença, ou não.
O modo como encaramos esse processo, é único.
Eu tive muita vontade de colocar tudo para fora, prova é a existência desse blog. Mas tem gente que não consegue ou não quer falar no assunto. Tem gente que não pode parar de trabalhar, que tem filhos pequenos, que precisa continuar fazendo todos os afazeres domésticos, porque não tem quem os faça. Tem gente que se fecha no quarto e tem gente que não para em casa.
Tem gente que sente muitas dores físicas e há os que não sentem dor alguma.
Quando há dor física, não há espaço para pensar. Quando há dor é na alma, ainda há uma chance de repensar.
O fato é que a dor de cada um é sem medidas, não existem maiores nem piores, só existem , dores diferentes e maneiras diferentes de lidar com o que está acontecendo.
Para lidar com a dor há de tudo e cada pessoa escolhe o que vai lançar mão. Escolhe ou é escolhida, pois quase sempre neste caso a liberdade é algo escorregadio. É mais fácil se deixar levar pelas circunstâncias, do que escolher enfrentá-las. Cada um, com os recursos internos que possui, vai ter que dar conta desta demanda de vida. A vontade de viver tem que ser maior do que a vontade de morrer, este é o único fato que pode ser comum para enfrentar a dor. Mas há também quem queira morrer. Há os que não podem lutar contra uma doença em estágio avançadíssimo. Mas ainda assim, quando a possibilidade de morte é bem real, podemos escolher morrer com dignidade.
Em todos os casos podemos fazer deste momento de vida uma oportunidade para desenvolver a amorosidade, a empatia, a resiliência, o sentimento de seguir em frente de se tornar uma guerreira. Foi assim que me sentia, fui para guerra, voltei venci uma grande batalha, as marcas estarão para sempre no corpo e na alma, as do corpo tem como minimizá-las com o tempo, espero que as da alma também.
Na busca de força para continuar o amor é o que fala mais alto porque uma vida só vale a pena ser vivida se for no amor, senão a gente corre o risco de já ter morrido e não ter percebido. Não há quem aguente viver a dor maior que é viver sem amor.
PS: A imagem acima é do filme "Minha vida sem mim".