Selinho

Selinho

24 de janeiro de 2011

É obra do acaso?


No editorial de sábado do jornal Zero Hora a Dra Maira Caleffi, presidente do Instituto da Mama - RS, uma organização não governamental, alertava para o número de mulheres que morrem diariamente em decorrência do câncer de mama. Dizia ela que já que não há prevenção, é preciso diagnosticar a enfermidade no início do seu surgimento. Daí fiquei pensando novamente na doença e no porque do seu surgimento na minha vida, pensei que realmente é quase uma loteria ao contrário, principalmente no meu caso que amamentei os três filhos, não fumo, não bebo (depois da quimio tomei umas tacinhas de espumante), etc, etc, e tudo que já disse antes, afinal fiz quase tudo que uma "boa" moça de família faria. Para que? Para ser contemplada com essa doença mutilante, tem horas que é difícil não sentir um sentimento de revolta.
Outro dia estava no supermercado e o rapaz que me ajudou com os pacotes me perguntou, como era a quimioterapia (ele me viu quase careca e associou ao câncer), se era muito ruim mesmo e se eu tinha idéia de porque eu tinha sido "sorteada"? (Palavra não muito apropriada uma vez que deriva de sorte, que sorte?)
Lhe respondi que não fazia a mínima idéia, não sou nenhuma santa, mas me considero uma pessoa relativamente legal, sem falhas graves de caráter e que simplesmente não havia uma explicação, ou seja eu não sabia porque tinha adoecido. Também tenho uma vida relativamente boa, tenho uma família que se ama, unida e onde as discórdias e conflitos são administráveis, não há nada de muito grave nos acontecendo, a não ser os problemas cotidianos.
Pensei na minha irmã que morreu com a mesma doença aos 38 anos e senti muita saudade e lembro o quanto ela era divertida, bonita e o quanto sofreu com dores que nem a morfina acalmava.
É justo?
Acho que não, mas não dá para entrar neste tipo de raciocínio, pois o câncer é bem democrático atinge todas as idades e todos os tipos de pessoas, se pensarmos nas crianças então...
 O que eu quero dizer com tudo isso é que tem uma parcela da nossa vida que é marcada por sorte ou azar, é a única explicação que encontro no momento, não acredito em carma, em expiar os pecados de outra encarnação. Encarnada estou com certeza nesta vida. Tão pouco acredito que estou pagando por algum erro, não fiz nada de tão grave que mereça tamanho castigo e de novo é uma lógica complicada, quando vemos crianças em estado terminal. Espiritualmente acredito em um Deus que de tanto amar já nos redimiu, um Deus que tem um amor incondicional que não nos julga por méritos ou deméritos; que nos ama até nas nossas fraquezas, ou seja acho que isso não tem nada a ver com Deus.
Porque então?
Ainda não sei a resposta e talvez nunca a saiba, mas quando olho para tudo que passei e a revolta tenta achar um lugar para ficar, tento ver que existem histórias piores que a minha, renovo a minha esperança, levanto a cabeça e novamente sigo em frente, no momento é só o que posso pensar e fazer.

Um comentário:

  1. Lú.
    As coisas acontecem porque tem que acontecer, não adianta agente ficar buscando explicação para os acontecimentos, o que temos que fazer é tirar de tudo que passamos e o que acontece na nossa vida uma lição e tentar ser um pouco melhor e buscar sempre a felicidade.
    Penso que tudo o que passamos juntos serviu muito para o nosso crescimento e fez com que nós ficássemos mais unidos.
    Te amo muito : Marcelo

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