Selinho

Selinho

23 de dezembro de 2010

NATAL


"Então é Natal, e o que você fez? O ano termina e começa outra vez ..."

Foi um ano e tanto!
Queremos desejar a todos, os nossos desejos sinceros de um Feliz e abençoado Natal.
Este ano nós celebraremos o renascimento, não só do menino Jesus, mas de uma vida em família com saúde.
Não vamos nos cansar de agradecer a todos que rezaram para que essa doença que invadiu nossa casa fosse vencida.
Com a chegada do menino Jesus nosso coração se enche de alegria e ousa dizer:
"O Senhor fez em nós maravilhas e santo é o seu nome!"
Desejamos que haja Paz no seu coração e no da sua família.
Que haja muito amor também, e principalmente muita saúde!
Que 2011, seja repleto de realizações e que tenhamos a força de vencê-lo no final.

Lu e família

21 de dezembro de 2010

TODO AMOR QUE HOUVER NESTA VIDA!!!


Há dias tenho pensado, como estou me sentindo no final desta etapa, se estou bem, como venci, como passei por tudo, quais eram minhas expectativas, enfim passei me indagando.
Até descobrir que eu já não sou um casulo, a borboleta já nasceu, minha alma já fez este processo de metamorfose, estou pronta desta etapa e isso não significa que outras metamorfoses não virão.
A aprendizagem mais significativa que tive foi que tudo muda o tempo todo, não dá para parar no tempo, não dá para achar que a vida está ganha, é preciso ganhá-la todos os dias, escolher entre viver alimentando a pulsão de vida que há em mim neste momento, nesta hora, neste segundo e alimentar a pulsão de morte.
A quimioterapia terminou, mas as marcas do câncer permanecem e isto pode às vezes alimentar uma certa depressão, pois ainda não tenho cabelos e ainda estou incompleta com a falta de um novo seio.
No verão surgem os desafios de mostrar mais o corpo e não tem como esconder a insegurança de revelar algo: o vazio me incomoda e muito. Não sou hipócrita para dizer que isto não pesa, pesa e muito. Mas sou uma borboleta por dentro e isso é o que mais importa afinal.
Estes dias estávamos rezando o terço e experimentei um estado de contentamento que entendi a expressão: "sorria desde o fígado". Me senti tão inteira, tão plena como jamais havia me sentido antes, mesmo antes da doença. Em outro dia procurava uma roupa para colocar e são poucas as que me caem "muito bem', ainda estou inchada, daí resolvi me vestir com o melhor que tenho: meu sorriso e sei que me senti um sucesso. Descobri que para eu me sentir feliz, preciso na verdade de muito pouco...
Descobri que preciso mesmo é "me sentir", "me ouvir", escutar a minha alma.
Só uma coisa é necessária, descobri  que essa coisa é o amor. Na minha vida, pode me faltar tudo, menos o amor, na família, com os amigos, enfim muitas formas de amor; se eu tiver saúde estou radiante, se eu puder viajar, serei muito feliz, por hora quero só amor, muito amor!!! Todo o amor que houver nesta vida.

14 de dezembro de 2010

O esforço para continuar feminina...


Será que o esforço para continuar feminina é pedir muito?
Deve ser algum pecado mortal, além de vencer o câncer, ter uma vida quase normal.
Hoje quase mandei a dona de uma loja à pqp!
A criatura estava tentando me vender a parte de cima de um biquíni...
Primeiro me fez entender que fazia por medida, entrou na cabine mediu meu tórax, com prótese e sem prótese, depois adentrou o provador muito íntima minha já e começou a me ajudar a experimentar um sutiã, artigo ao qual eu não estava procurando, eu estava de lenço no pescoço e ela achou que era para esconder a prótese, o que não era verdade, pois hoje está mais fresquinho e botei o lenço por charme. Em seguida fez a vendedora vir com vários modelos prontos de biquínis para que eu experimentasse, experimentei e perguntei então se fariam sob medida, ela me disse que não, mas que eu não devia tentar esconder tanto, tinha que aceitar, afinal eu estava com "saúde" e isso era o que importava, para que esconder? Quando perguntei se fariam um forro para inserir a prótese ela me disse: - "não isso tu mesma podes fazer de algodão, um saquinho..".  Saco eu tive que ter e bem grande. Daí inchei no provador, pensei que ia chorar, pois achei de uma falta de sensibilidade, o fato de não ouvir o que eu estava procurando, além disso se não fazem sob medida, para que me medir? Me expor no provador, fazer mostrar o vazio, a cicatriz, para que? Provar os biquínís eu poderia tê-lo feito sozinha, tirei o seio, não o cerébro, não fiquei "retardada", nem com problemas para me movimentar.
Fiquei muito irritada com a situação, aí fui em outra loja, expliquei a situação e a vendedora me disse que fazem sob encomenda, mas que precisam de um modelo, não tiram medidas, foi mais discreta, (embora a gente perceba o choque no rosto, quando expliquei que tinha terminado há pouco a quimio) e combinei que levaria o meu sutiã com espaço para prótese, para ver se é possível. Pelo menos não escutei nenhum comentário ao que eu devo ou não valorizar nesta vida, depois de tudo era só o que me faltava!!!
Discrição é tudo o que queremos neste momento, não queremos nos expor muito.
Quando escrevo o blog, cuido para que a minha exposição não seja exagerada, embora que o meu objetivo é este mesmo, mostrar todas as facetas da doença e do seu tratamento, tudo o que me aconteceu, de bom de ruim e nunca esquecer que "aquilo que não me mata me deixa mais forte". Quem sabe antes desta experiência do câncer, eu não seria esta pessoa também, querendo resolver o problema sob a minha ótica, meu ponto de vista, sem ouvir a necessidade do outro?
Há de tudo nessa vida; "psicólogo de plantão", então nem se fala, tinha acabado de sair da minha terapia, momento  no qual  eu sempre saio mais reflexiva, se eu quisesse a opinião de alguém, eu pediria e não tenho paciência para quem não sabe das minhas dores e se acha no direito de dar palpite.

12 de dezembro de 2010

Vou na direção do sol, um girassol ...

Recebi um vídeo, da minha amiga Cris, sobre o girassol, eu achei lindo, por isso agora me batizo de Girassol.
Ainda sou borboleta, meio confusa, sem saber em qual fase está, mas decidida a mudar de fase.
Isso é o que importa.
Agregar outros adjetivos, ter novos nomes, disso tenho certeza que é o que eu quero: transformação constante...
Tudo é ciclo, tudo começa, termina, recomeça e acaba novamente.
Estou no início do fim, loucura, né?
Nem me fale...
Talvez por isso a confusão, às vezes a revolta, às vezes o sentimento de pura gratidão.
Mas sempre tentando achar o sol...

10 de dezembro de 2010

No novo tempo que eu começo hoje ...

‎"As coisas tristíssimas,vão desaparecer quando soar a trombeta. Levantaremos como deuses, com a beleza das coisas que nunca pecaram, como árvores, como pedras, exatos e dignos de amor." Adélia Prado


9 de dezembro de 2010

BANHO DE MAR


Faz dois dias que os efeitos da quimioterapia, resolveram aparecer.
Fico pregada e o meu rosto está parecendo tipo assim uma "sobrevivente do holocausto".
Fico me cobrando que tenho que levantar, reagir, quem sabe estou "me fazendo?"
Tudo inútil, a droga prega na cama, se a gente esquece ela lembra que é forte e quase nos derruba.
A alegria está em saber que terminou, mais uns dias e estou livre destes inconvenientes.
Restam outros bem mais humanos:
Estou enjoada da peruca, enjoada de me travestir.
Estou exausta, esta é a mais pura verdade.
Terminou o tratamento e junto com o término, vem a exaustão, segurei muita coisa no peito. Agora o peito pede ar puro, novos ares...
Logo vou estar na praia, botando meu pé na areia e sonho ...
Sonho mais do que tudo em tomar um gostoso banho de mar, que leve para bem longe tudo o que passei. quero sentir a força das ondas contra o meu corpo, me animando, me fortalecendo, fazendo eu me sentir viva e renovada.
Que venha logo 2011 e junto com ele eu possa realizar os meus desejos de felicidade.
PS: PARA MARCIA TAVARES:
TUDO PASSA, VOCÊ VAI SUPERAR TAMBÉM!!!

6 de dezembro de 2010

Das coisas que eu construí durante o tratamento - Parte II

Reler a própria história foi muito importante, durante o tratamento, e isso foi proporcionado pelo processo de terapia, sendo ela feita, com a minha terapeuta, ou com meus amigos, família e etc...
Na sexta feira, dia da festa da escola, recebi essa homenagem, que foi linda, em forma de vídeo, junto com a colcha, da qual já falei antes.
Segue o vídeo, que mostra um pouco da minha história e que foi elaborado pelos pais da escola, amigas e meu filho Raphael.
Não precisa dizer que chorei muito, né? Neste dia ofereço este mesmo vídeo ao meu marido, pelo nosso aniversário de casamento, hoje completamos 24 anos de amor, cumplicidade, companheirismo, afeto, desejo de um pelo outro.
Se houveram pedras no caminho? Muitas, acho até que já dá para construir dois castelos.

5 de dezembro de 2010

Das coisas que eu construi durante o tratamento - Shazan


Shazan, foi um jeito que eu e meu marido achamos de não dizer nada, mas de nos apoiarmos, então inventamos essa brincadeira, que é a seguinte: na hora em que eu estava ruim mesmo, me sentindo muito mal, nós encostávamos a nossa aliança de casamento uma na outra e dizíamos ou as vezes só pensávamos "Shazan"; era uma forma de recuperar a força perdida e dizer, tudo bem vai passar, estamos juntos, eu te amo e etc...
Era  apenas um gesto, sem palavras, porque às vezes as palavras não conseguiam ser ditas, não havia voz, nem força para pronunciá-las, então às vezes eu, às vezes ele, buscávamos a aliança um do outro.
Ontem conversamos sobre isso sobre como isso renova a nossa promessa feita um ao outro de estarmos juntos na alegria e na tristeza. De quanto pequenas atitudes alimentam o nosso amor.
Amanhã vamos fazer 24 anos de casados e isso é muito, pois hoje em dia compromisso é palavra fora de moda. Casei quando tinha 17 anos e meu marido 19, loucura total, aprendemos quase tudo juntos, pela dor e pelo amor. E agora durante esse processo todo de tratamento de um câncer, descobrimos novas formas de nos amar e continuar o nosso "compromisso", a nossa intimidade, a nossa cumplicidade, dessas coisas é que é feita uma relação à dois.
Eu agradeço muito ao meu marido, mas confesso que eu não esperava nada diferente, acho que uma relação deve existir para ser boa, eu prometi, ele prometeu, promessas sem amor, não valem nada, mas quando há amor, não há nada que as quebre. Quando há a benção de Deus então nem se fala. Descobrimos o valor do sacramento nas nossas vidas, sacramento que quer dizer:  sinal invisível da graça de Deus.
Deus estava conosco e está em todos as horas as mais felizes e nas menos, mas com a força do sacramento, do nosso "Shazan", ele se sente mais à vontade para agir...
Eu descobri também, que o fato de hoje estar proclamando todo o nosso amor, não impede que mais tarde ele acabe, mas eu não tenho mais medo de dizer que ele é infinito e pode durar para sempre.
É um projeto de vida, continuar amando, precisa todos os dias de planejamento e ação, para que de fato seja infinito, ao menos enquanto dure.
No meu caso, sonho que dure para sempre!
Shazan!

4 de dezembro de 2010

Colcha da Amizade

Ontem pude participar da festa de encerramento da escola e ganhei uma colcha linda, com desenhos dos meus 75 alunos. Em breve colocarei a foto aqui, ela já está na minha cama, me enchendo de energias positivas.
Foi uma homenagem linda que ganhei.
Pensando bem no meu ano, ganhei mais que perdi, mesmo com todas as "travessias desse ano".
Recebi tanto amor!!!!!!!!!!!!!!!!!
"obrigadu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!"
A partir de agora viverei como a Canção de Sempre do meu querido Mario Quintana:


Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Mário Quintana

2 de dezembro de 2010

Papo cabeça ...



Citação linda de :
"Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão...
Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que,
de mim, arrancam lágrimas e canções.
Eu só poderia acreditar em um Deus que soubesse dançar.
E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene.
Era o espírito da gravidade. ele é que faz cair todas as coisas.
Não é com ira, mas com riso que se mata. Coragem!
Vamos matar o espírito da gravidade!
Eu aprendi a andar. Desde então, passei por mim a correr.
Eu aprendi a voar. Desde então, não quero que me empurrem para mudar de lugar.
Agora sou leve, agora vôo, agora vejo por baixo de mim mesmo,
agora um Deus dança em mim!"
Que assim seja!

GRATIDÃO

Encerrou uma etapa da minha vida da qual quero me lembrar só das coisas boas.
O tratamento quimioterápico, teve fim e eu o venci. 
Foi uma batalha e tanto, são sintomas dificílimos de explicar mas só quem já os sentiu pode entender o que se passa dentro de nós.
Também digo que há um risco grande de morte, uma vez que ele mata algumas coisas dentro de nós. 
Há morte e ressurreição em cada ciclo de quimioterapia.
Tem gente que não aguenta, eu me orgulho de ter aguentado, de ter suportado.
Suportei sempre com tranqulidade e fé e porque sabia que Deus estava ao meu lado, me cuidando, me segurando no colo.
Suportei também pela minha rede de apoio:







Agradeço minha família, meus amigos e toda a equipe da Oncotrata; especialmente a Dra Ana Paula, que me passou uma segurança e tranquilidade incríveis, depois a Dra Andrea, que cuidou de mim durante a quimio; e as duas serão minhas companheiras por muito tempo ainda, pois o meu tratamento é para o resto da vida.
As enfermeiras Debora e Claudia, que foram incansáveis, pois puncionar minha veia era uma tarefa "árdua".
Agradeço a Alessandra, assistente social, sempre sorridente  e encorajadora, igualmente agradeço a Vanessa da recepção, a Rosane da administração, enfim todas essas mulheres maravilhosas que estiveram comigo, neste tempo e que fazem parte desta família ONCOTRATA.
À minha comadre Magali e ao meu amado marido que me acompanharam, antes durante e depois, toda a minha gratidão.
Teve muito aprendizado e de novo, mais uma vez, cito Adélia Prado:
"Dor não tem nada haver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade."

1 de dezembro de 2010

Renova-me



Postei este vídeo como forma de agradecimento e pelo sentimento de me sentir renovada, estou muito feliz com o fim de uma etapa difícil da minha vida que venci graças a Deus e a uma enorme rede de apoio.
Vou fazer meus agredecimentos especiais em breve.
Sei que não é o fim da luta, porque temos que os cuidar diariamente para mantermos nossa saúde, mas no meu caso, me sinto renovada e curada.
A renovação é permanente, é projeto, nunca está acabada.
Todos os dias eu preciso renovar a minha vontade de ser uma pessoa melhor, mais feliz, mais de acordo com minhas vontades e desejos.
Obrigado!!!!!!!!!!!!!!!!