Selinho

Selinho

12 de novembro de 2010

Um céu azul da cor do mar


Fiquei pensando no que escrevi no último post, nesta questão de ser a minha história unica, desde  a maneira como estou vivendo até a forma como estou sentindo tudo que está a minha volta. Vejo que por mais que partilhe com outras pessoas este momento e me sinta ouvida, cuidada, amparada, tudo isso tem um "que" de solidão. É uma dor só, digo solitária, por mais que seja dividida, nem tudo que penso, falo e muito que sinto, não expresso, porque tenho o entendimento de que poucos poderiam compreender.
Recebi um e-mail de um amigo meu, que passou por situação bem pior, mas semelhante, no sentido de nos depararmos com a possibilidade de ver a nossa vida finita. Ter essa consciência, como venho repetindo também, é algo que muda o foco da nossa vida, algumas coisas desnecessárias vão morrendo em nós e isso é a parte boa da doença e do seu tratamento. Eu me tornei mais tolerante, me preocupo com o que vale a pena, deixo de lado disputas de poder, ou de qualquer outro tipo, não quero provar mais nada para ninguém. Acredito que antes do câncer eu vivia buscando a aprovação do que eu pensava, de como vivia, do que fazia, agora isso tem uma importância bem menor, me preocupo com aquilo que me dá prazer, que me deixa bem, com bons pensamentos, me afastei de quem tem sempre uma tragédia para contar, ou que maximiza seus sofrimentos.
Gosto de me cercar de pessoas generosas que procuram deixar meus dias melhores.
Meu lema do momento é minimizar o que há de ruim e maximizar o que há de bom, escolher a melhor parte.
Com essa atitude às vezes pode parecer que há uma solidão maior, porque vivemos em um mundo pessimista, em que o que dá Ibope é o sofrimento. Ainda me dizia meu amigo: "nós que escolhemos não ser vítimas", essa escolha, pode acreditar é uma escolha quase revolucionária, em um mundo onde as pequenas coisas do dia a dia são um grande problema. Não ser vítima, não significa, não sofrer, significa encarar o sofrimento nos olhos e com os olhos bem abertos, vivendo cada gota dele, não recorrer a nenhuma ilusão, tentar se manter com os pés na realidade dos fatos, não devanear muito, ainda que um pouco de devaneio, seja importante para suportar. Significa também entender a solidão do sofrimento, entender que isso faz parte do processo que eu estou vivendo de forma só minha.
No fim saberei que vivi de fato e isso me tornará melhor. É como se Deus estivesse lapidando meu coração para ser mais generoso, mais humano, mais amoroso. É disso que vem o meu conforto, há quem encontre esse conforto em outros lugares, o meu vem em grande parte da minha espiritualidade e da forma como eu a vivo, vem também das pessoas que me rodeiam e a cada dia me ensinam uma maneira nova de encarar esse "furacão".
Uma amiga minha me falando de um filme que conta uma história parecida com a minha, me disse o seguinte: que uma personagem em um dado momento, disse que somos como o céu: aparecem as nuvens, as tempestades, os raios, os ventos, mas o céu permanece igual. Fiquei pensando nisso ... Quem já andou de avião sabe que a tempestade está nas baixas altitudes, basta o avião se elevar e teremos um céu límpido, impassível.
Quem dera essa analogia seja verdadeira, e que tudo isso esteja muito abaixo de mim e que passada a tempestade eu possa mostrar todo o meu azul, um azul da cor do mar...

2 comentários:

  1. VIVER HOJE – O ONTEM JÁ PASSOU
    É assim, as coisas acontecem e passam..
    Os dias menos alegres, passarão..
    Quando nos sentimos tristes, só e porquê não amargos, também...
    Lágrimas, dores, já foi, novas virão! É assim...
    Frustações nos fazem chorar, mas nem tudo é perfeito, também passa..
    Sentimos saudades dos queridos nossos que estão longe, passará.
    Hoje alegria... Amanhã tristeza...
    Tudo aprendizado, lições que acumulamos, nesta nossa jornada terrena.
    Bom é saber que basta elevarmos nosso pensamento para o alto, buscar ouvir a voz macia e terna da Mãe amorosa e ela, nos dirá: tudo passará...
    Guardemos dentro do nosso coração que pelas forças utilizadas na superação das dificuldades já superadas, que não há dificuldade maior que dure para sempre..
    Imaginemos-nos dentro de um enorme barco, que as vezes parece não resistir às grandes ondas..
    Estas também passarão, porque Jesus esta no leme..
    Então, nos resta fazermos a nossa parte, o melhor que pudermos, sem esmorecer, confiemos em Deus, aproveitemos cada segundo de nossas vidas, que tudo , com certeza...passará.
    VIVER HOJE – o ONTEM JÁ PASSOU – O AMANHÃ SORRIRÁ!!!!
    Vera Piovesan

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  2. É isso aí Vera, vai passar, vai passar,
    Te amo também,
    bj
    Lu

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