Selinho

Selinho

31 de outubro de 2010

Querer, ser, educar, cuidar...


Começo dizendo que novamente terei que fazer a quimioterapia somente na semana que vem, o que me deixa muito frustrada e triste, já que estou em contagem regressiva, quero acabar logo com isso, mas sei que o tempo, não sou eu quem decide! Mas de qualquer forma fico mais sensível, pensativa e um pouco deprimida.
Volto a falar dos verbos...
Querer uns dos verbos mais pensados neste momento, quero tudo e quero todos a minha volta. É um momento de muitos desejos e querer é de certa forma desejar.
Quero uma vida mais plena, com mais significado, com mais amor, com mais verdade, com mais intensidade. Quero minha família unida, meu marido voltado para mim, quase numa fusão total, 24 horas por dia (quem aguenta isso?), quero o sacrifício dos que me rodeiam, enfim quero, quase como uma menina mimada, quero tudo, parece que esqueci que nem tudo podemos, o desejo é livre a realização nem sempre viável.
Ao mesmo tempo quero ser mais segura, quero ser menos forte, quero ser uma pessoa melhor, que não julga demasiadamente, que aceita os outros como são e não tenta transformá-los em benefício próprio, tarefa muito difícil por sinal, me vejo a todo momento tentando manipular quem está a minha volta. Quem nunca fez isso atire a primeira pedra.
Ser eu mesma sem máscaras a todo momento, é bem verdade que às vezes eu preciso de algumas...
Ser uma pessoa que se reconhece com qualidades e limitações, aceitando o que me limita e focando nas minhas possibilidades.
Ser uma pessoa que tem uma fé do tamanho do grão de mostarda, também luto por isso.
Cuidar dos meus, não expô-los tanto a minha vulnerabilidade momentânea.
Cuidar de mim, para não expor tanto a minha vulnerabilidade. Há quem chute cachorro morto.
Cuidar das minhas palavras lembrando que elas tem poder de destruir ou agregar, cabe a mim escolher...
Enfim termino com EDUCAR, quase um lema de vida, em função de ser eu uma educadora de profissão e missão.
Educar primeiro meus sentimentos, meus afetos, minhas vontades, sim é preciso educá-los, senão eles chegam sem pedir licença e tomam conta de mim, não me deixando pensar, muito menos falar o que me incomoda e o que me faz feliz.
Educar quem está a minha volta, tentando passar um pouco do que sou, do que tenho vivido, do que tenho sonhado.
Educar como utopia de tornar não o mundo inteiro melhor (isso é discurso de miss, e eu estou longe disso), mas tornar meu pequeno mundo, aquela pequena parte que me cabe um lugar melhor de se viver...
Educar minha solidão e vê-la como necessária em muitos momentos.
Não ter medo de enfrentar todas essas ações, de conjugar todos os verbos, de  me libertar do que me prende e me escraviza.
Desejo simplesmente tudo, desejo, quero desejar...
Meu maior desejo: VIVER, deixar minha pulsão de vida, falar mais forte que a minha pulsão de morte.
Quero realizar o milagre em mim.
I believe in miracles...

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