Selinho

Selinho

21 de outubro de 2010

Abraçar


Inspirada na exposição Verbos para vestir de Leandro Selister, resolvi pegar cada verbo e dar a minha impressão, após a experiência do câncer de mama.
Escolhi escrever sobre o verbo abraçar primeiro, porque é a primeira decisão que eu tomei: abraçar a vida!
Quando tive o diagnóstico do câncer resolvi, decidi, que queria abraçar a vida e vivê-la muito mais intensamente, do que já tinha vivido.
Resolvi abraçar novas possibilidades na minha vida, novas coisas, percebi que tenho ainda muito o que viver e muito a experienciar.
Quis abraçar também o meu amor, meus filhos, meus pais, minha avó, meus irmãos, meus tios, minha família toda, meus amigos, quis abraçar o mundo.
Queria abraçar Deus, imaginei um abraço caloroso de Pai, de Mãe, de plenitude.
Quis dar abraço em mim mesma, sim, porque comecei a perceber a importância ainda maior de um auto cuidado, me abracei em muitos momentos em que me senti só, em que eu fui o amparo de mim mesma e nesses momentos sussurrei no meu ouvido: olha, vai passar, vai passar...
Sigo abraçando tudo isso, como abracei o tratamento e fiz tudo que me foi pedido pelos médicos, porque neste caso para abraçar a vida é preciso ouvir os médicos, não dá para inventar tem que se ter a humildade de se "submeter" ao tratamento, sem orgulho percebendo-se vulnerável, necessitando de muitas relações de ajuda e de muitos abraços...
Sempre fui muito controlada e essa nova disposição assusta quem me rodeia. Mas só que quero mesmo é saborear a vida, com suas cores e matizes, sons, cheiros, sabores, vida enfim.
Atentar para aquilo que realmente importa. 
Descobrir o que me importa.
Descobrir que significados estou construindo e assim abraçar a experiência...
Não quis fugir, quis viver intensamente o momento, sabendo que venceria a batalha.
Abracei a luta e sigo em frente, vivendo um desafio a cada dia.

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