Selinho

Selinho

25 de setembro de 2010

A metamorfose da alma


Falar sobre mudanças internas é bem mais complicado do que falar sobre o que está mudando por fora.
Na verdade a minha metamorfose se dá de dentro para fora.
Internamente eu tenho que vencer conceitos que me impedem de levar uma vida mais leve, o peso da alma, neste momento é muito mais importante que o peso do corpo. A alma precisa estar leve...
Esta leveza eu tenho procurado desenvolver a cada sessão de terapia transpessoal, com a minha amiga e terapeuta Cleusa Thewes,  que tem me ajudado muito neste sentido.
Vivenciar o processo de terapia, não é fácil, pois implica olhar para dentro de nós e descobrir as próprias mazelas. Porém quando conseguimos com sinceridade perceber nossa imperfeição diante da vida, nos tornamos mais tolerantes com os outros.
Já falei em outros posts, sobre a ditadura dos outros, essa "entidade a parte" que tenta nos governar. Porém muitas vezes somos essa entidade para aqueles que convivem conosco. A terapia ajuda a descobrir que o que nos incomoda nos outros é exatamente o que nos incomoda em nós mesmos. Libertos de julgamentos excessivos, passamos a nos perceber e buscamos dentro de nós mesmos as razões para os sucessos e insucessos de nossos relacionamentos. Só na liberdade é que conseguimos amar de verdade. A liberdade de ser quem realmente somos e de aceitar as pessoas como elas realmente são.
Mas porque será que nos sentimos tão vulneráveis ao julgamento externo e julgamos tanto?
É lá na infância que isso começa, quando os pais não se dão conta de quanto interferem na auto estima dos filhos, cobrando e exigindo situações das quais uma criança não pode dar conta. É preciso então curar a criança primeiro e depois o adulto. Isso de certa forma explica nossas atitudes infantis, diante de inúmeras situações. Deixamos que a nossa criança fale e tome conta da situação, como ela é imatura, geralmente
o desdobramento é infantil. Quando descobrimos esse funcionamento regressivo e passamos a nos perceber melhor, começamos a pensar antes de agir e nos questionamos: é o adulto que está agindo, ou é a criança imatura e muitas vezes mimada ou pouco amada que está no controle da situação? Às vezes o adulto consegue retomar o poder e racionalizar agindo como alguém que pensa e respeita. Mas se formos pensar nas brigas e nos desentendimentos familiares por bobagens, nas discussões de trânsito, percebemos que é uma tarefa árdua deixar o adulto que está em nós agir.
Devemos então não ouvir a criança que vive em nós? Não e muito pelo contrário é preciso estar atenta a ela e deixar que ela haja nos ensinando a viver de forma mais lúdica, menos exigente, é preciso entender que "a infância é a nossa pátria", é de lá que retiraremos os recursos para enfrentar a vida.
Parece um tanto paradoxal, de um lado deixar a criança não falar, de outro deixar ela agir; mas a nossa vida é feita disso: de muitos paradoxos...
Todo o paradoxo pode ser vivido se for no amor.
Ama e faze o que quiseres, já dizia Santo Agostinho, há muito tempo atrás...

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