Selinho

Selinho

2 de setembro de 2010

Histórias: Minha caixa de ferramentas favorita


Sempre adorei ler, e a literatura tem me ajudado muito, nestes dias.
De Cinderela na infância à Doroty, do Mágico de Oz na vida adulta, inúmeras histórias povoam a minha mente.
O conteúdo dos livros invade a minha vida de uma forma muito real. Conteúdo, aliás é o que não me falta: tantos de histórias imaginadas, quando de histórias reais. E se algum dia alguém suspeitou que a minha vida era vivida nos livros, hoje mais do que nunca ela daria um livro que com certeza seria alimentado pelo meu amor à leitura.
Elaborei muitas perdas e dores amparada nos personagens que li e nos heróis que conseguiram superar seus obstáculos.
Esse é o grande mérito da leitura na minha vida.
Desde cedo fui muito incentivada, li a maioria dos clássicos e dos romances, mas o que marcou mesmo e continua marcando, são os contos de fadas. Alguns poderão dizer que as histórias relatadas nestes contos são para crianças, que ingênuo engano. Pois somos fisgados de novo por eles na vida adulta, só que apresentados sob outra forma. Observe se seu filme favorito, seu livro de cabeceira, não tem um final feliz.
É tudo que queremos no fundo...
Sempre quis uma vida de contos de fadas: Cinderela era o meu conto preferido. Mas em todos os contos de fadas o "felizes para sempre", não sai barato. Portanto estou na fase gata borralheira de novo.
Na vida adulta meu personagem favorito era a Doroty do Mágico de Oz, pois representava a autonomia.
Os sapatinhos vermelhos de Doroty representavam para mim a minha fase de autonomia.
Como mulher passei a perceber que a responsabilidade da minha vida não dependia de nenhum príncipe encantado, teria que eu mesma buscá-la, ao lado dele, mas não dependendo dele.
Mas a vida prega peças na gente e quando achamos que somos independentes, precisamos de amparo e de um amparo que depende mais do que nunca dos amores que temos: marido, filhos se desdobram como podem, para fazer o papel do Mágico de Oz e resolver a carência momentânea.
A vida é um ciclo, logo, logo, a Doroty reaparece, mais humana e mais consciente, por enquanto, precisa ainda da ilusão do Mágico de Oz e de alguns cuidados.
Diana Corso em seu livro "Fadas no Divã, nos diz o seguinte:
" Histórias não garantem a felicidade nem o sucesso na vida, mas ajudam. Elas são como exemplos, metáforas que ilustram diferentes modos de pensar e ver a realidade e quanto mais variadas e extraordinárias, forem as situações que elas contam, mais se ampliará a gama de abordagens possíveis para os problemas que nos afligem. Um grande acervo de narrativas é como uma boa caixa de ferramentas, na qual sempre temos o instrumento certo para a operação necessária, pois determinados consertos ou instalações só poderão ser realizados se tivermos a broca, o alicate, ou a chave de fenda adequados. Além disso, com essas ferramentas podemos criar, construir e transformar os objetos e lugares."
São estes instrumentos que a literatura nos coloca à disposição e que nos ajudam a resignificar nossas experiências pessoais. Funcionam como um encorajamento, de que em algum momento, tudo vai passar.
A aventura humana é cheia de percalços, obstáculos e  acontecimentos inesperados, apesar disso todos podemos escolher o final feliz, ele está também na superação dos obstáculos, na travessia dos percalços e no entendimento que o inesperado sempre aparece. E no entendimento também que é sim possível "ser feliz para sempre", mas essa felicidade depende só de nós mesmas.

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