Selinho

Selinho

5 de setembro de 2010

Disfarçar para manter a autenticidade



Das muitas experiências que tenho vivido nestes dias, uma  pode ser encarada com muito bom humor e serve para desenvolver a empatia, ou seja a capacidade de se colocar no lugar do outro.
É a hora em que eu preciso me travestir para parecer com aquilo que realmente eu sou: uma mulher.
Na verdade hoje me sinto um travesti; já dei muita risada com o meu cabeleireiro sobre isso, apesar de eu estar careca, preciso levar as perucas para ele lavar e disse:
 - Todo o dia tenho que me "montar",  rsrs
Já tentei ficar careca, mas parece que agride a quem vê. Só mesmo meu marido, meus filhos e duas amigas, já viram a cena, que confesso também me incomoda.
Observando os comerciais antes do Jornal Nacional, cheguei a conclusão, que já sabia, o cabelo é o "queridinho" da nossa vida, por ele, gastamos o que não temos e não tem nada mais feminino, do que um cabelo bem tratado. Então por mais que eu queira esquecer estou sempre sendo lembrada, na revista que leio, no jornal que folheio, na tv que vejo.
Então vamos as perucas...
Não deixa de ser um disfarce, muita gente me vê e não me reconhece, o que às vezes é bem divertido, e em outras é uma verdadeira benção!
Daí parei para pensar em todos os preconceitos que temos, em todas as verdades que cultivamos e que às vezes estão esvaziadas de amor e concluo precisamos respeitar a amar todos sem distinção nenhuma.
Sempre me considerei uma pessoa livre de muitos preconceitos, tenho alguns que luto para arrancar de dentro, mas sabemos que é bem difícil, se livrar da cultura de excluir quem pensa diferente de nós. 
Toda a vez que nos diferenciamos a tendência é ser excluído.
Precisamos de uma mudança radical, pois o mundo está cada vez mais plural e o caminho é amar sem medidas e sem pré-requisitos. 
Sofremos muitas vezes porque não atendemos as expectativas de outros.
Quando mudamos o eixo de pensamento e nos descobrimos como a pessoa mais importante a se agradar, começamos a caminhar no rumo do amor.
Jesus nos dá o novo mandamento: amar o próximo, como a ti mesmo. Mas  se eu não me amo, não me cuido,  vai ser impossível amar o próximo e tolerá-lo nas suas imperfeições tão parecidas com as minhas.
Autenticidade, palavra traduzida como: Caráter do que é autêntico, legítimo, verdadeiro. 
É o que afinal de contas devemos buscar, tendo em vista, que cada um deverá buscar a sua própria verdade, aquilo que o faz feliz.
Hoje me sinto muito autêntica e diferenciada e é natural, que isso cause um certo estranhamento dos que me rodeiam, mas se você está me estranhando canto um trecho da música da banda NX ZERO:
"Não me julgue por não ser igual
Carrego a verdade aqui no olhar..."

Nunca em toda a minha vida, me senti tão perto de mim mesma e daquilo que desejo para a minha vida, estou desenvolvendo uma intimidade interna que só mesmo com muito suor e lágrimas, poderei dar conta.

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