Selinho

Selinho

30 de agosto de 2010

Não é orgulho, é vontade de viver e viver muito!!!



No sábado tive uma recaída bem grande, chorei, muito, mas muito mesmo, minha ansiedade transbordou novamente e se converteu em muitas lágrimas.
No outro dia amanheci bem melhor, nem parecia que tinha tido a noite que tive.
Daí me indaguei sobre o fato de tentar ser forte:
Seria uma resolução para me manter saudável? 
Ou seria uma forma de tentar agradar os outros e amenizar os seus sofrimentos? 
Ou, ainda,seria orgulho de não parecer fraca?
Cheguei a conclusão que não era nada disso, a minha decisão de me manter forte a esse tratamento é exclusivamente, muita, mas muita vontade de viver! Acho que tenho ainda tanto para conhecer e aprender, tanto para amar, não dá para ser fraca neste momento.
Apesar do desejo de ser forte, às vezes eu preciso muito de colo, nem sempre o encontro, talvez tenha que aprender a ficar no "colo" de Deus, que é imenso...
A vida segue seus rumos e é assim que tem que ser, não dá tempo de parar, quando tudo continua, como diz Shakespeare: .... "não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte." 
O tempo não pára, para que consertemos nossas feridas físicas e emocionais. É preciso seguir em frente, mesmo com elas abertas. O mesmo tempo que não pára, se encarrega de fechá-las, no momento oportuno. O fato é que tudo cicatriza, leve o tempo que levar...
Preciso de presenças, mas às vezes é a ausência que me preenche.
Sei que ainda tenho um bom caminho pela frente e terei muitos desafios. Minha vida, nunca mais será a mesma, mas tenho certeza que será sempre melhor do que já foi.

28 de agosto de 2010

O segredo dos "meus" olhos


Ontem vasculhei meus armários para olhar fotografias antigas e novas.
Queria dar uma olhada para ver se eu descobria pelo meu olhar se eu estava feliz ou triste na ocasião.
Olhei várias fotos minhas, de quando era bebê,  do primeiro dia de aula depois já adolescente, namorada, esposa, mãe, profissional, e pasmem, não encontrei em nenhuma delas uma em que estivesse infeliz, pelo contrário eu parecia muito feliz frente a tudo que me acontecia.
É óbvio que no meu caso as fotografias são na sua maioria de acontecimentos muito felizes, nunca vi ninguém fotografar velório. Nós fotografamos aquilo que queremos imortalizar, a cena, o momento, aquele instante mágico de felicidade.
Isso me deu um certo alívio, não é que eu me sinta culpada, por ter tido este câncer, mas na verdade creio que algumas razões psicossomáticas contribuem para que ele se instale. Olhando as fotos descobri que o que ocorreu estava acima do meu controle e pasmem eu continuo feliz.
Mesmo quando estou mau humorada (hoje), me sinto feliz.
Acredito no poder do bom humor autêntico, aquela pessoa que ri das próprias mazelas e não é severa demais consigo mesma.
No jogo da minha vida escolhi o frescobol, ao invés do tênis. Cuido muito as bolas que arremesso, principalmente aqui em casa, com os filhos e marido. Me parece que nenhum deles se sente cortado pelo meu ataque de tênis. Respeito muito os sonhos de cada um e sou uma boa incentivadora, com as limitações humanas normais, é claro.
Para que vocês entendam a grande diferença entre jogar tênis e frescobol, vou transcrever a crônica de Rubem Alves a respeito do tema, pois hoje faço aniversário de início de namoro: 28 anos juntos com o meu marido, desde o início tentando jogar frescobol. Na maioria das vezes conseguimos, embora já tenhamos tido nossas partidas acirradas de tênis. Nosso amor segue, tentando todos os dias jogar frescobol...
Segue o texto:


"Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:
‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...(O retorno e terno, p. 51.)" Rubem Alves

26 de agosto de 2010

O homem lúcido

O texto abaixo foi escrito antes de Cristo e reflete uma sabedoria ímpar, uma sabedoria necessária, eu me atrevo a dizer, que fala da essência de "ser" humano, compartilho com vocês.

O homem lúcido
O homem lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que nunca se entusiasma com ela, assim como não teme a morte. O homem lúcido sabe que viver e morrer são o mesmo em matéria de valor, posto que a Vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um mal.


O homem lúcido sabe que é o equilibrista na corda bamba da existência. Sabe que, por opção ou acidente, é possível cair no abismo, a qualquer momento, interrompendo a sessão do circo.

Pode também o homem lúcido optar pela Vida. Aí então, ele esgotará todas as suas possibilidades. Passeará por seu campo aberto e por suas vielas floridas. Saberá ver a beleza em tudo. Terá amantes, amigos, ideais. Urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até às doenças. E, se atingido por algum desses emissários, saberá suportá-los com coragem e mansidão.

Morrerá o homem lúcido de causas naturais e em idade avançada, cercado por filhos e netos que seguirão sua magnífica aventura. Pairará então, sobre sua memória uma aura de bondade. Dir-se-á: aquele amou muito e fez bem às pessoas.

A justa lei máxima da natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem iguale-se sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis. O homem lúcido que optou pela Vida, com o consentimento dos Deuses, tem o poder magno de alterar esta lei. Na sua vida, os acontecimentos favoráveis estarão sempre em maioria.

Esta é uma cortesia que a Natureza faz com os homens lúcidos.

texto Caldaico(*) do VI século a.C.

25 de agosto de 2010

Clarice Lispector

Tudo a ver com o meu momento esse texto da Clarice Lispector, para quem não quer esperar carregar o vídeo, segue o texto:

Meu Deus, me dê a coragem


Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.

Meu Deus, me dê coragem... - Clarice Lispector



Perfeito para este meu momento!!!!!

Dias de Luta

No link abaixo uma entrevista de Tânia Carvalho com Matheus Cony, que teve leucemia e fez um documentário do período que passou no hospital. Vale a pena conferir!!!

Dias de Luta

O envelope roxo


Continuarei  falando um pouco sobre o Alexandre, mas farei referência a ele, como aquele que se negou a receber o envelope roxo. A foto postada é atual e mostra o quanto ele está bem.
Vou explicar, trata-se de um livro, onde a protagonista principal é aquela, a quem todos tememos e da qual nenhum de nós a seu tempo escapará: A morte.
Pois ocorre que a história começa, quando ela a morte resolve fazer greve e não matar mais ninguém. Podem imaginar o que acontece? O caos é total, imagina ninguém morre e isso se arrasta por dias. O que é revelado nos atinge como um "soco no estômago", a humanidade aparece de forma muito "real" e aterroriza até mesmo a morte; então a morte vendo o que está acontecendo resolve tomar uma atitude e mudar os métodos, Retoma a sua missão, mas de outra forma. Agora ela resolve avisar através de uma carta, enviada dentro de um envelope roxo, a data da morte do vivente.
Abandona a visita inesperada e implacável, para dar uma chance as pessoas de resolverem suas questões.
Imaginem o segundo caos: saber o dia em que se vai morrer...
Será que dará tempo de pedir perdão a quem magooei?
De realizar os sonhos que ainda tenho?
Será que vai dar tempo?
Poderá ser "caos", ou "oportunidade".
No livro a morte entrega os envelopes e os que os recebem, seguem os protocolos de despedidas e se entregam ao seu derradeiro destino. Porém acontece algo inesperado, existe um envelope que retorna a sua ilustre remetente, uma, duas, várias vezes. A morte fica intrigada, como alguém pode se negar a morrer?
Que atrevimento é este?
Ela que nunca falhou em serviço, vai conferir de perto o que aconteceu, como o vivente é um homem, ela toma a forma de mulher e vai conhecer a pessoa que resiste ao seu apelo.
O desfecho: a morte se apaixona e desiste temporariamente de seu objetivo.
Conclusão: quando há amor, vontade de viver, nem mesmo a morte é certa.
O envelope roxo, pode ser comparado a um diagnóstico e um prognóstico ruim; mas cabe a nós que já passamos pela experiência de recebê-lo mostrar que quando há AMOR, nem mesmo a morte é certa.
Conheço muitas pessoas que já receberam o envelope roxo, assim como o Alexandre e o devolveram, entre estas pessoas está a minha avó, que hoje está com 88 anos e já recebeu pelo menos umas três vezes o tal envelope. Mas a vontade de viver e o amor sempre falaram mais forte, vamos ver por quanto tempo ela ainda consegue enganar a danada.
O que eu quero com toda essa história é dizer que quando enfrentamos uma doença grave, nos encontramos de fato com a possibilidade da morte e isso muda de forma muito radical a maneira que vivemos, nos modifica a tal ponto, que só queremos uma coisa: amar, todo o resto perde o significado.
Começamos a entender Santo Agostinho quando ele diz: "Ama e faz o que quiseres". Nos libertamos das amarras, nos desapegamos e buscamos a essência que não perece.
A doença é uma ótima oportunidade de rever a cada minuto, o que levaremos desta vida, já que aqui, não ficaremos para sempre.
Quero uma bagagem leve e alegre, primaveril, cheia de risos, sonhos realizados, amores vividos e dores vencidas.
Ah! o livro vale a pena ser lido: "As intermitências da morte", de Jose Saramago, é muito irônico e chega a ser engraçado, não tenha medo de ler, mesmo que eu já tenha contado o final, rsrsrs.

20 de agosto de 2010

O segredo seus seus olhos...


O título de hoje é também de um filme; vou falar rapidamente do filme, ainda está no cinema, é um romance policial, que é desvendado, pelo segredo "guardado" no olhar...
Hoje não quero falar do filme, quero falar de "vida real" (que é a minha preferida) e de gente muito querida e dos olhares desta gente.
Quando comecei o blog, não tinha nenhum motivo especial a não ser narrar meus sentimentos. Depois vi que precisava também de encorajamento, histórias que deram certo e que precisavam ser contadas.
Foi quando me lembrei do meu amigo Alexandre, que fez transplante de fígado e passou pelo limite da vida e da morte, em uma situação muito pior do que a minha.  Na verdade acho que em um dado momento ele esteve mais lá do que cá. Estamos trocando alguns e-mails e os sentimentos dele foram fundamentais para me encorajar,  e quero colocar da forma como ele coloca, o que ele sentiu, mas ainda falta ele me enviar mais coisas, os sentimentos dele são ricos também em humanidade, mas principalmente em santidade, pois ele encarou com muita confiança todo o processo que viveu, até o seu renascimento, porque sim, no caso dele, foi um renascer para a vida. Hoje ele comemora dois aniversários, um dia 27 de agosto, dia em que nasceu e outro dia 8 de janeiro, que não por acaso foi em um domingo, o dia que renasceu...
Mesmo com as probabilidades todas contra ele, ele nunca pareceu que iria desistir, entregar os pontos, sempre manteve a confiança e a fé e um bom humor inacreditável para a situação.
Agora passados mais ou menos 5 anos, do dia do transplante, descubro o segredo do seu sucesso, não é nenhuma forma de pensamento positivo, meditação ou mentalização (não que isso não ajude). No caso do Alexandre foi o amor que permitiu que ele vencesse a batalha e ele conseguiu, graças principalmente ao amor da Ketty por ele.
Descobri isso vendo a foto que ele me enviou, da época que estava "a espera de um milagre".
No olhar da Ketty está guardado todo o segredo: a confiança, a fé, o amor que os une, o olhar para frente. Só olha para frente quem tem certeza, quem confia, senão desviamos o olhar, vamos "conferir"...
Reparem no olhar dela... Vou deixar a foto postada...
Reparem no olhar do Alexandre, entregue a graça de Deus.
Reparem no olhar dos filhos...
Hoje a foto da família é outra, bem mais saudável, mas talvez não tão rica!
Para que não se apavorem (ele mesmo me pediu para não me apavorar, que ele já está bem melhor e está ótimo mesmo), vou pedir uma foto atual para que vejam que Deus opera milagres, basta que saibamos confiar.
PS:  Hoje é o terceiro dia do segundo ciclo da quimioterapia e está bem difícil, vencer o desconforto, o enjoo, o desânimo, aí lembrei desta foto e dos e-mails desta semana e semana passada, estou bem, vou ficar bem, também tenho que ter forças para superar, sou rodeada de amor e amores e tenho muita fé.
" Que a alegria do Senhor seja a vossa força, digo a mim mesma".

Ainda Almodóvar

Ontem me dei conta do que me encanta nos filmes de Almodóvar: descobri um pouco de mim em cada uma das personagens, principalmente aos do filme Tudo sobre minha mãe, que no meu entendimento, é um filme completo do ponto de vista das realidades humanas.
Sou um pouco Manuela, que é a grande mãe do filme, quando cuido dos meus filhos, das crianças e das pessoas idosas que são as que mais prezo.
Sou um pouco Agrado o travesti que faz de tudo para ser "autêntica".
Sou um pouco irmã Rosa, quando a minha fé entra em contradição com aquilo que faço.
Essas personagens tem muito em comum com a maioria das mulheres, o que as une é o amor com que movem suas vidas.
Os erros que cometem são em nome do amor, que é o que elas tem de sobra.
Descobri também que por vezes surgem "Manuelas", nas nossas vidas, são mulheres que fazem o papel de nossas mães, mesmo tendo a mesma idade que nós temos. Mas de forma muito intensa. Na minha vida além da minha mãe,  e da minha avó que já fizeram muito este papel, tenho tido muitas Manuelas, cada uma cuidando de algo que preciso, mas destaco a minha comadre Magali, que nasceu com o dom de ser "Manuela" e neste momento de cuidados especiais que tenho precisado tem sido incansável.
Isso mostra que as mulheres tem o dom de cuidar uma das outras, ao contrário do que dizem por aí, quando nos juntamos somos invencíveis.
Quero deixar registrado o meu carinho especial a todas as minhas amigas mulheres que fazem tudo que podem para tornar a minha vida mais leve, neste momento.

13 de agosto de 2010

Uma protagonista de Almodóvar - Acho que me chamo Agrado...

Estava pensando, coisa que tenho feito muito nos últimos dias, e descobri que bem que eu poderia ser uma personagem dos filmes de Almodóvar, vou explicar porque.
Primeiro porque acho que este cineasta conseguiu mostrar a intensidade das mulheres com muita veracidade e de forma muito delicada, engraçada, dramática e com muita arte. Adoro seus filmes, porque mostram uma vida real, que poderia ser a minha ou a sua e mostra tudo o que as mulheres são capazes de fazer quando querem o amor...
Tudo em mim é muito intenso e embora eu pareça calma, sou muito agitada.
Agora mesmo penso que essa agitação é por causa que estou em casa, sem poder fazer muitas coisas, porém quando estava trabalhando bastante, também era agitada,  concluo então que esta é uma característica da minha personalidade.
Sou intensa e exagerada, às vezes muito feliz, às vezes, muito triste, e isto tudo, muda muito rapidamente, haja paciência dos homens da minha casa, meu marido é o que mais sofre: uma hora gargalhadas, em outra choro convulsivo. Não venham me dizer que sou bipolar, ou que estou na TPM, quando isso acontece, não me enquandro em nada disso, sou apenas muito mulher.
Por ser muito mulher, gosto de ser feminina, gasto o pouco que me resta, com cremes, com roupas, com sapatos (botas são minhas preferidas) e agora que vejo minha feminilidade um pouco ameaçada, às vezes bate o "desespero" (exagero do momento). Tive que gastar com perucas e seio postiço e se os cílios cairem, não tenham dúvida vou colocar um par de cílios postiços.
Mas para que tanta vaidade? Deve se perguntar quem lê este blog... Também não sei, mas tenho uma hipótese científica para isso. Sou recheada de hormônios femininos, tenho excesso deles, foram eles a causa deste câncer de mama, pronto achei um "culpado". Mas não estou contra eles, pelo contrário, gosto de ser assim e agora, tenho que descobrir o feminino, em uma cabeça que está careca e em um lugar vazio no corpo. Aí descubro que o feminino está impregnado na minha alma extremamente feminina e se em algum momento fiquei brava com meu corpo, hoje me reconcilio, com meus orgãos, meus hormônios, minhas enzimas, meu sangue, meu coração e meu cérebro que comanda todo o resto.
Quanto a vaidade, não sei ainda se é boa, ou se é ruim, mas sei que vale muito nos sentirmos bem com o nosso corpo. Eu acredito no poder da auto estima.
Para encerrar indico o filme: Tudo sobre minha mãe, de Pedro Almodóvar, nele há uma personagem rica em autencidade, que acredito ser o grande objetivo da vaidade, queremos enfim ser únicas. No filme, Agrado é um travesti, que é chamado em um dado momento do filme a improvisar  durante um espetáculo de teatro. A narrativa que se segue é muito engraçada e revela o quanto agradamos de fato, quando procuramos ser as mais autênticas possíveis. A primeira frase diz muitas àquelas que querem muito viver intensamente sua feminilidade, começa assim:
- Me chamo Agrado porque toda minha vida sempre quis agradar os demais...(qualquer semelhança com a maioria das mulheres, não é mera coincidência). Além de agradável sou muito autêntica... 
Daí em diante a personagem, começa a narrar o seu corpo e o quanto gastou para se tornar uma mulher de "verdade".
E encerra dizendo:
- Estás dizendo que custa muito ser autêntica? Senhora nestas coisas não devemos economizar, porque uma pessoa é mais autêntica, quanto mais se parece com aquilo que tenha sonhado para si mesma.


E você sonhou o que para si mesma?????  Também estou me perguntando neste momento...

12 de agosto de 2010

Edgar Morin - Fronteiras do Pensamento edição 2008

Escrever
O vídeo é longo, mas vale a pena. é um pequeno aperitivo deste grande filósofo. O qual admiro muito.

11 de agosto de 2010

Mude - Clarice Lispector

Expectativas...

Eu sou a rainha das expectativas, sempre tenho muitas a respeito de tudo.
No dicionário expectativa está definido como esperança de que algo aconteça...
As minhas expectativas, na maioria das vezes, dão certo, mas como o meu defeito chefão é a mania de controlar, vez ou outra a expectativa não acontece. Foi o que aconteceu ontem...
Ontem achei que poderia fazer a quimioterapia, não pude, estou com a imunidade muito baixa, isso significa que se eu pegar qualquer gripe, pode ser uma encrenca.
Estou então na "clausura", posso até dar uma pequena caminhada, se estiver quente, que foi o que fiz hoje, fora isso, lavar muito as mãos e evitar contato com pessoas doentes ou resfriadas. Recebo algumas visitas, leio meus e-mails, leio um pouco dos livros, mas me sinto presa. E isso me incomoda muito. Não consigo rezar, às vezes, quando estou muito ansiosa isso me acontece...
De novo a palavra de ordem é Paciência. Pelo jeito terei que usá-la muito neste período.
Como não estou conseguindo rezar, peço que rezem por mim.

Metamorfose


Na primeira foto, versão "Joãozinho, na segunda versão careca c/  "peruca"

10 de agosto de 2010

A "tosa"

E lá se vão os cabelos...Parte 2

Ontem raspei geral a minha cabeça, pois a queda estava muito grande, hoje estou careca, de peruca claro, porque a minha vaidade ainda é grande, mas há de diminuir...
Com os cabelos foram embora outras coisas; realmente há um desapego, em relação a este corpo, totalmente mortal em que vivo. Percebo coisas bem mais importantes, tenho um rosto bonito, mesmo careca. Percebo que a beleza está onde quisermos olhar. Vou me fotografar e postar no blog em seguida.
Mas o que aconteceu mesmo, foi uma grande metamorfose interna, colocar peruca, também não é fácil, sair na rua, pensando que todos irão notar, que vão rir...Achei que era assim que me sentiria, porém foi ao contrário, botei peruca, comprei uma boina estilosa, coloquei por cima da peruca e sai na rua me sentindo bem, talvez pela primeira vez na vida, sem me importar com o que os "outros" pensam de mim. Foi um divórcio de mim mesma e do modo como pensava algumas coisas e isso vem acontecendo no dia a dia. Lya Luft, já escreveu muito sobre essa entidade concreta chamada "os outros" e sobre a ditadura que sofremos em nome da opinião alheia.
Querem saber? É bom estar livre de julgamentos... Mas esta é uma carta de alforria, que só nós podemos nos dar, não cabe a ninguém, eu estou livre porque decidi, que de agora em diante eu me gosto e pronto.
É a auto estima que liberta!
Tem um filme da Pixar, um curta metragem, chamado Pular, que mostra bem o sentimento inicial, que temos quando passamos por uma "tosa". Vou postar aqui no blog, para que vocês tenham idéia do que senti e como estou. Tem uma frase bem importante do filme: "às vezes por cima, às vezes por baixo"; a conclusão é que o nosso valor não está medido por estes momentos e sim por quanto nos mantemos equlibrados, frente as duas situações. Já passei várias vezes pelas duas e no final a gente sabe como termina, né?
Ninguém termina diferente, nisto somos todos iguais, todos humanos, diferente pode ser nossa atitude.
Eu escolhi ser autora desta aventura, ao invés de personagem ou vítima das circunstâncias, não tenho vocação para mártir e não vou aumentar o sofrimento da minha família com atitudes de auto comiseração. Peço ajuda, peço colo, choro, mas isso dura pouco, pois em seguida temos o que fazer e algo a comemorar
e motivos para agradecer.
Há graça na desgraça, podem acreditar.

Sou forte e como dizia Nietzsche: "O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte."

5 de agosto de 2010

E lá se vão os cabelos...



Ontem os cabelos começaram a cair e fui cortá-los novamente.
Estou um"joãozinho", cabelo bem curtinho.
Em outros lugares cairam de forma mais violenta, às pencas, por higiene, fui obrigada a deixar a zero, com um visual totalmente "novo", rsrsrs...
Aos poucos vou me acostumando, mas não é nada fácil, acostumar-se, quando se passa quase uma vida inteira com os cabelos de médios a longos.
Ainda não quis colocar a peruca, vou curtir um pouco o cabelo bem curtinho.
Além da queda dos cabelos desde ontem uma prostração, uma vontade de ficar só dormindo, de não fazer absolutamente nada, é muito sono.
Me sinto hibernando, como uma ursa polar...
Sinto fome e talvez fique parecida com uma ursa mesmo, o que é o meu grande medo!!!
Amanhã tem personal, e vou tentar gastar tudo na esteira, fazer o remédio circular e as calorias irem embora, já viu né? Comer e dormir o dia inteiro no que vai dar.
De resto muitas mudanças, cada dia um novo sentimento, nem bons, nem ruins, apenas sentimentos.
Muita vontade de estar com amigos que tiveram uma perda importante, mas não me sinto fisicamente e emocionalmente capaz de ajudar, só posso oferecer minha oração e meu carinho.