Selinho

Selinho

26 de julho de 2010

O dia em que o mundo acabou ...

No dia 29 de janeiro de 2010, terminou um mundo para mim. Foi o dia que quebrei o braço e dai por diante, tive que aprender a renascer.
Fiquei por volta de sessenta dias engessada e logo em seguida, e graças a queda, descobri que estava com câncer de mama. Realmente terminou um mundo para mim. Um mundo onde eu tinha saúde para dar e vender, tinha autonomia, podia fazer escolhas sem pensar nas consequências, podia ir e vir de forma independente.
Neste mundo muitas pessoas precisavam de mim e eu precisava de umas poucas pessoas...
Acreditava que eu era dona da minha vida,a dona da história, que o meu destino era minha responsabilidade e dependia exclusivamente de mim e claro como sempre fui religiosa, em parte de Deus. A minha parte acho que fazia corretamente, levava uma vida cuidadosa comigo mesma: cabelo pintado a cada vinte dias, unhas feitas semanalmente, fazia exames periódicos, nunca fumei, nunca bebi, sempre muito "controlada", minha única fraqueza: uns quilos a mais na balança...
Deus sempre presente ou onipresente, cumprindo o papel que eu tinha delegado a ele, me proteger de todos os males, era um Deus bem particular, hoje vejo que era uma espiritualidade superficial.
Tinha uma vida cheia de compromissos, tanto no trabalho, como na família; obrigações a cumprir, prazos e muitas tarefas, que eu acreditava que só eu poderia dar conta.
Ficar doente não estava nos meus planos.
Este mundo onde eu vivia assim está completamente para trás, obsoleto, nele não posso mais viver.
Mas começou outro e preciso me adaptar a viver nele.
Neste novo mundo minha única tarefa é cuidar de mim, do resto, tenho que me desapegar e aprender a delegar, estou precisando mais do que nunca dos outros e mais do que nunca de Deus. Preciso me abandonar aos seus cuidados.
Dois dias depois da quimioterapia, tudo o que eu queria era o meu mundo antigo de volta, chorei muito e desejei muito não estar vivendo o mundo atual. Estava com raiva, ódio de tudo. Não queria estar vivendo isso, queria ter o controle da situação. Tudo inútil, o mundo não volta atrás, meus sentimentos cada vez mais humanos, é preciso passar por essa fase de revolta...
Passada esta fase surge o novo mundo, cheio de "graças", que vem de graça, não preciso controlar, apenas respirar.
Estou aprendendo a viver nele, neste caso sou a-luna, ainda não tenho luz suficiente para dividir, preciso da luz de outros para me iluminar.
Que venha este novo mundo, inesperado, inacabado, impreciso...

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