Selinho

Selinho

28 de julho de 2010

um novo tempo

O início - aprendendo a viver o ócio

Neste novo mundo que estou vivendo, tem bastante tempo livre e muita dificuldade para lidar com o ócio. Não tenho mais a desculpa de não poder fazer as coisas por falta de tempo. Então é hora de assumir as minhas prioridades.

Tenho algumas bem urgentes, tipo fazer atividade física, uma coisa que sempre encontrei várias "desculpas" para não realizar, porém agora é indispensável.

Comecei hoje a fazer um trabalho com uma amiga, professora de educação física, que tem um espaço bem individualizado e pode atender as minhas necessidades do momento.

É incrível o efeito que já teve no meu dia, fiz coco sem esforço (rsrsrs), me sinto bem melhor, tirei uma soneca depois do almoço e me sinto muito bem hoje, realmente um pouco de endorfina faz muita diferença.

Agora tenho que escolher o meu dia e não simplesmente me deixar levar por uma rotina estafante, onde parar para pensar, nem pensar. Neste sentido a doença pode ser uma benção e uma oportunidade de levar uma vida mais perto daquilo que realmente é essencial e consequentemente uma vida muito mais feliz.

Também há bastante tempo, no meu dia, em que não faço absolutamente nada e não tenho vontade de fazer absolutamente nada, nem mesmo aquela arrumação nos armários tão esperada e que eu nunca tinha tempo para fazê-la. Não tenho vontade de fazer nada útil, produtivo, somente tenho vontade de fazer o que nunca fiz. Pensei em fazer algum curso, mas há o risco de sair de casa e no meu caso, preciso ainda de resguardo. Se fosse possível seria algum tipo de artesanato, alguma coisa bem tipo terapia ocupacional.

A única coisa útil que faço é pensar, pensar muito...

Pensar nesse novo tempo...

26 de julho de 2010

O dia em que o mundo acabou ...

No dia 29 de janeiro de 2010, terminou um mundo para mim. Foi o dia que quebrei o braço e dai por diante, tive que aprender a renascer.
Fiquei por volta de sessenta dias engessada e logo em seguida, e graças a queda, descobri que estava com câncer de mama. Realmente terminou um mundo para mim. Um mundo onde eu tinha saúde para dar e vender, tinha autonomia, podia fazer escolhas sem pensar nas consequências, podia ir e vir de forma independente.
Neste mundo muitas pessoas precisavam de mim e eu precisava de umas poucas pessoas...
Acreditava que eu era dona da minha vida,a dona da história, que o meu destino era minha responsabilidade e dependia exclusivamente de mim e claro como sempre fui religiosa, em parte de Deus. A minha parte acho que fazia corretamente, levava uma vida cuidadosa comigo mesma: cabelo pintado a cada vinte dias, unhas feitas semanalmente, fazia exames periódicos, nunca fumei, nunca bebi, sempre muito "controlada", minha única fraqueza: uns quilos a mais na balança...
Deus sempre presente ou onipresente, cumprindo o papel que eu tinha delegado a ele, me proteger de todos os males, era um Deus bem particular, hoje vejo que era uma espiritualidade superficial.
Tinha uma vida cheia de compromissos, tanto no trabalho, como na família; obrigações a cumprir, prazos e muitas tarefas, que eu acreditava que só eu poderia dar conta.
Ficar doente não estava nos meus planos.
Este mundo onde eu vivia assim está completamente para trás, obsoleto, nele não posso mais viver.
Mas começou outro e preciso me adaptar a viver nele.
Neste novo mundo minha única tarefa é cuidar de mim, do resto, tenho que me desapegar e aprender a delegar, estou precisando mais do que nunca dos outros e mais do que nunca de Deus. Preciso me abandonar aos seus cuidados.
Dois dias depois da quimioterapia, tudo o que eu queria era o meu mundo antigo de volta, chorei muito e desejei muito não estar vivendo o mundo atual. Estava com raiva, ódio de tudo. Não queria estar vivendo isso, queria ter o controle da situação. Tudo inútil, o mundo não volta atrás, meus sentimentos cada vez mais humanos, é preciso passar por essa fase de revolta...
Passada esta fase surge o novo mundo, cheio de "graças", que vem de graça, não preciso controlar, apenas respirar.
Estou aprendendo a viver nele, neste caso sou a-luna, ainda não tenho luz suficiente para dividir, preciso da luz de outros para me iluminar.
Que venha este novo mundo, inesperado, inacabado, impreciso...

24 de julho de 2010

E-MAIL DE PORTUGAL

Fiquei muito emocionada ao receber o e-mail abaixo, primeiro, pelo alcance que a Internet proporciona, podemos conhecer pessoas que estão muito longe geograficamente falando. É legal saber que essas pessoas podem torcer por nós e nós por elas.
Obrigada Vanessa!!!
Segue o e-mail:

Bom dia Lú...
Meu nome é Vanessa, sou de SP mas há 3 anos moro em Portugal, gosto muito de ler,
pesquisar, e foi através da frase: Como a vida tem te tratado? é que cheguei até vc.
Acompanho os acontecimentos e programas do Brasil através da net e assisto "A vida
alheia" e essa frase assim como em vc me deu um "click" e me fez pensar muitas
coisas.
Tomei a liberdade de lhe escrever pois a cada palavra que lia do que vc escreveu,
fui reparando o quanto você é determinada... o quanto está a lutar pela vida... o
quanto ama viver... e isso me fez colocar por um minuto em seu lugar e ver que eu
tbm posso agir assim!
Lu... como você é forte!!! Continue assim...
Não sei se gosta de ler, não sei quais tema, mas tem um livro que me fez entender
muitas coisas, chama-se: Laços eternos, da Zibia Gasparetto, amo a Zibia, ela me
ajuda muito através de seus livros, estudo espiritualismo e isso tbm tem me ajudado
muito.
Independente de religião, continue com fé em Deus... ele é único, nosso Pai é nossa
salvação!!! Tenha fé sempre!!!
Desejo tudo de bom a vc, que continue firme e forte.
Grande abraço,
Com carinho,
Vanessa Rodriguues

21 de julho de 2010

PRIMEIRO DIA DA QUIMIOTERAPIA ...

Ontem fiz a primeira sessão de quimioterapia e no final foi mais tranquilo do que eu esperava.
Em parte me senti segura porque o Marcelo e a Magali estavam comigo e em parte porque a equipe da clínica é super atenciosa e me senti muito"cuidada". A clínica tem a cara da Dra Ana Paula e da sua equipe, todas muito atenciosas e tentando minimizar ao máximo a situação desconfortável pela qual eu tinha que passar.
Mas passei agitada o dia inteiro, não conseguia, dormir nem relaxar, aos poucos fui me acalmando.
Mas meu grande medo ainda não se manifestou; as náuseas e os vômitos.
Apareceu uma vermelhidão no rosto que é uma manifestação alérgica, mas já estou tratando.
O monstro da quimioterapia, já está um pouco menor, Deus queira que continue deste tamanho. tenho que encará-lo como amigo, pois deste "monstro" depende minha cura. Me sinto mais ou menos como a menina, personagem do filme, Monstros SA, no primeiro encontro muito medo, depois começando a confiar que o "monstro" vai salvar minha vida.

Oração, repouso e bastante água, aliados a uma boa alimentação, serão essenciais nessa fase.
Carinho e atenção são meus alimentos.
Fé em Deus,
Fé na vida e principalmente fé em mim mesma, pois tenho que crer, que posso superar os obstáculos, não sozinha, mas como uma filha amada de Deus.
"Tudo posso naquele que me fortalece".

17 de julho de 2010

DE LAGARTA A BORBOLETA... INICIANDO UM NOVO CICLO.


Quando descobri que estava com câncer de mama, quem estava comigo era a Magali, minha comadre e amiga de muitos anos, de lá para cá, ela tem passado comigo todas as dificuldades e tem me acompanhado como uma "fiel" escudeira". Logo no início do tratamento ela me deu um livro: De Lagarta A Borboleta: um caminho para a transformação interior. Na contracapa do livro diz o seguinte:
"Não é interessante pensarmos que carregamos em nós todo o potencial de transformação de que necessitamos?
Quantas vezes queremos mudar a nossa vida, as pessoas que nos rodeiam, as situações que vivemos, e nos frustramos, porque não reconhecemos que para alcançarmos vôos mais altos, para sermos mais belos, plenos e realizados, precisamos antes de mais nada, entrar em nosso casulo, em nosso refúgio interior, para daí, com nossos próprios recursos, tecemos nossa transformação. 
E então partimos para a jornada em busca da plenitude."
Nos próximos dias inicia a jornada mais difícil, onde precisarei me recolher e me cuidar ainda mais, a perspectiva do desconhecido me assusta, mas não me paralisa e essa é uma lição do livro:
"Para iniciar um novo ciclo é preciso esperar o tempo de amadurecimento".
Talvez só agora eu esteja pronta para enfrentar os desafios que me aguardam. Eu acredito muito na palavra que diz que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus e é na palavra de Deus, na força da oração, na presença amorosa dos que me rodeiam, que eu vou me abastecer.
Vou viver o inverno, mas sei e tenho certeza que após ele, vem a primavera e até lá terei tempo para ficar no casulo, meditando, me aprimorando, me humanizando ainda mais.
Terminado o tempo do tratamento, serei uma nova pessoa, transformada por tudo que haverei vivido.
Durante este tempo estarei ausente de algumas festas, alguns passeios noturnos e ficarei mais reclusa.
Isso talvez seja o que mais me incomoda. Não tenho medo da solidão, mas não gosto da idéia da reclusão, gosto de gente, de pessoas e de muitas pessoas juntas.
Farei o possível para evitar tudo que pode neste momento atrapalhar o meu processo de cura, quero muito a transformação, a experiência, portanto rezem por mim, para que este tempo seja vivenciado por mim de forma mais "leve".

13 de julho de 2010

Mudando de fase ...

Quando meus filhos eram pequenos eles jogavam video game e o grande desafio era "mudar de fase" no jogo. Para que isso acontecesse, era preciso muito  tempo e dedicação, jogando e "matando" os inimigos de cada fase. Quanto mais avançavam mais complexo o jogo ficava, mas havia o momento da vitória, onde era possível  "virar" o jogo e se aprendia como vencer cada fase com mais facilidade, depois de vencido, todo o esforço parecia que não tinha sido tão grande assim.
Fazendo uma analogia com a minha vida, quero pensar que estou jogando video game e agora, após algum esforço, estou mudando de fase, consegui vencer os obstáculos até agora apresentados. Matei alguns leões, "zebras" e até elefantes e agora eles me parecem bem menores do que já foram.
Falando sério: - estou mudando de fase no jogo e isso é muito bom. Vou avançar no tratamento, a quimioterapia começará dia 20 de julho, três meses após o primeiro procedimento cirúrgico, aliás 3 meses exatamente.
Ao mesmo tempo que fico feliz, surgem vários sentimentos: medo, insegurança, angústia, frente ao desconhecido.
Mas entrei nesse jogo para ganhar e vou enfrentar o medo, a angústia e fazer a entrega do meu futuro, aprendendo a jogar com os "controles" certos. Creio que um dos mais importantes é a fé e o pensamento positivo, aliado aos cuidados orientados pelos médicos.
2010 veio com uma grande tarefa: tenho que cuidar de  mim mesma, e eu que já cuidei de tantos, agora, em pausa, para me cuidar e me curar.
Tenho muitos medos.
Os medos: perder o cabelo, engordar, enjoar, a insegurança de não saber como vou reagir ao tratamento e a nova imagem.
Tudo muito humano.
Aí me lembro que sou feita à imagem e semelhança de Deus Pai e portanto preciso abastecer essa dimensão divina e com ela e a partir dela vou vencer tudo o que é humano demais e que pode ser transformado.
Sei que quando o jogo terminar, sairei vitoriosa e preparada para os novos "jogos", que a vida vai me apresentar.

11 de julho de 2010

Futebol é o jogo da vida

Hoje foi o encerramento da Copa do Mundo e assisti com muito entusiasmo, torcendo pela seleção que mais simpatizava, depois do Brasil e da Itália: a Espanha, talvez porque o meu Bernardes possa ser de lá (há controvérsias), mas é um país que já visitei e gosto muito do jeito intenso e "caliente" deste povo.
Como tive tempo de acompanhar a Copa, assisti a muitos jogos e mesmo sem "entender nada de futebol", como aqui em casa os quatro homens que vivem comigo me alegaram, descobri coisas interessantes...
Posso não entender de futebol, mas entendo de comportamento humano e entendo da vida.
Na Copa e na vida, vence que consegue se manter equilibrado frente às situações estressantes.
Em relação a seleção Brasileira ficou difícil defender o Dunga, porque lhe faltava o equilíbrio emocional que um líder precisa ter. A equipe é a cara do líder. Quando perdemos para a Holanda, perdemos porque o time se "perdeu" emocionalmente, ficou fora de controle, se "atucanou", ficou ansioso e frente a ansiedade, o time  parou de pensar e aí sem nenhuma estratégia se entregou.
Pensando sobre a vida e a minha vida especialmente, penso que é exatamente assim, não é fácil vencer, nem marcar gols, em situações limites.
O paciente com câncer, ou em tratamento dele, vive uma "situação limite", precisa se manter equilibrado emocionalmente, para poder vencer e marcar o grande gol da cura. Não é nada fácil, pelo contrário exige muito esforço, mental e físico, para não entregar o jogo para esse adversário, que pode ser vencido e ser mandado embora.
O grande inimigo é a ansiedade, é ela que nos paralisa e faz com que nos concentremos naquilo que não podemos controlar. Se vencermos a ansiedade, metade do resultado do jogo, estará garantido.
Neste jogo ser campeão é tudo o que se quer.
Seja no futebol ou seja na vida, vence que encara o desafio, vence o medo e encara o adversário de frente e não se rende a nenhuma estatística, probabilidade ou hipótese.

9 de julho de 2010

Quase cicatrizada

Esta semana tirei os pontos e aos poucos estou avançando no meu processo de cura. Na semana que vem devo consultar o oncologista e começa a segunda fase do tratamento. Com a quimioterapia vem outra poda: a perda dos cabelos, sei que não vai ser muito fácil, mas já vivi coisas piores e cabelo cresce. 
Estou emocionalmente bem, embora esteja com a minha avó no hospital, ela tem 88 anos e não posso querer controlar o momento que ela está vivendo. Torço para que ela se recupere logo, mas sei que tenho que aproveitá-la ao máximo sem pensar no amanhã. 
Na verdade é preciso mesmo amar as pessoas como não houvesse amanhã, como diz a música, cada vez mais me convenço disso, não dá para deixar nada para amanhã.
Sabe aquele abraço nos filhos, não vou deixar para amanhã.
Sabe aquele pedido de desculpas, não deixarei para amanhã.
Dizer eu te amo, vou dizer agora...
Dar e pedir perdão é muito difícil, então, para não deixar para amanhã, peço ajuda a Deus, porque sem ele, não há condições, só ele pode me ajudar nessa tarefa.
Aliás o perdão é um ato de vontade que ainda fica doendo no peito, sei que se quero perdoar, Deus me ajuda, e eu perdoo; porém lá no fundinho do meu coração fica aquele "gosto de cabo de guarda chuva molhado" e demora um pouco para secar, mas um dia seca. 
É quase uma cicatriz e neste processo, talvez eu tenha que cicatrizar também o coração.

6 de julho de 2010

Nas ruas contra o câncer de mama

O artigo abaixo foi publicado na Zero hora de hoje e reflete a realidade do sistema de saúde pública. Creio que as minhas chances de cura do câncer de mama estão aumentadas, em virtude da rapidez do diagnóstico até a cirurgia. Foram treze dias entre o diagnóstico e a cirurgia para retirada do tumor e no meu caso o "tumor" aumentou de 1,8 para 3,6 cm. É uma pena que mulheres iguais a mim em direito e deveres, tenham que ficar "a espera de um milagre", pois deve ser assim que se sente um paciente que espera pelo SUS. Sabemos que milagres realmente acontecem, mas há um ditado que diz: confie em Deus mas tranque a porta. A minha "sorte" foi ter um plano de saúde, faço parte de uma minoria que consegue com algum esforço pagar por algo que o estado deveria suprir.
Segue o artigo:

De 1975 a 2000, dobrou o número de casos de câncer no mundo. Até 2020, esse número será novamente multiplicado por dois. Até 2030, deve triplicar. Em relação ao câncer de mama, só em 2009 mais de 1,5 milhão de mulheres foram acometidas pela doença no mundo. Em Porto Alegre, a doença é a primeira causa de óbito nas mulheres em idade fértil e também a principal causa de mortes por câncer em todas as faixas etárias. Neste ano de 2010, devem surgir 1.040 novos casos na capital dos gaúchos e quase 5 mil no Rio Grande do Sul, de acordo com dados do Inca – Instituto Nacional de Câncer.




Trata-se de um problema global, mas que exige soluções locais, pensadas de acordo com a realidade de cada país, Estado e município. No RS, onde temos altos índices de incidência e mortalidade por câncer de mama, a luta contra a doença tem sido intensificada nos últimos anos. Com o apoio da sociedade, temos mostrado que o câncer de mama pode ter até 95% de chances de cura, quando descoberto cedo.



Mas por que nossas mulheres continuam morrendo tanto de uma doença curável em praticamente metade dos casos? Porque ainda temos muitas barreiras a vencer. A primeira delas é a desinformação. Precisamos conscientizar as pessoas sobre a importância do cuidado global com a saúde, que inclui a mamografia anual a partir dos 40 anos. O exame é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas, acreditem, mais de 40% das brasileiras com mais de 50 anos nunca fizeram mamografia em suas vidas.



Precisamos, ainda, capacitar os profissionais de saúde para o melhor atendimento e diminuir o tempo entre o diagnóstico da doença e o início do tratamento. Na rede pública, muitas mulheres recebem o diagnóstico e ficam à espera da cirurgia por um período muito maior do que os 60 dias preconizados pelos médicos. A doença avança enquanto elas esperam.



Para alertar a sociedade sobre a envergadura do problema – o Rio Grande do Sul fica atrás apenas do Rio de Janeiro em número de casos e mortes por câncer de mama –, mulheres que venceram a doença vão para as ruas em seis municípios gaúchos neste mês de julho. Em Porto Alegre, a Caminhada das Vitoriosas, que está em sua sétima edição, acontece no dia 18. O evento, que tem servido de exemplo para iniciativas semelhantes em outros Estados brasileiros, tem como objetivo mostrar que o câncer de mama tem cura. Mas, para salvar mais vidas, é preciso mobilização social e, sobretudo, vontade política. Pense nisso na hora de votar!



*Presidente do Imama – Instituto da Mama do RS

3 de julho de 2010

Reflexão...

Eu hoje reli todo o blog, tudo que escrevi e senti até agora com esta experiência que estou vivendo.
Fiquei surpresa pela quantidade de emoções sentidas e manifestadas, fiquei surpresa com a minha impaciência, só sobre o fato de ter paciência escrevo, várias vezes. E ainda estou impaciente...
Tentei recordar o que li, o que ouvi e achei um livro que comprei uns dias antes da cirurgia: "Cartas do poeta sobre a vida" de Rainer Maria Rilke. Livro espetacular, o poeta tem respostas para muitas dores da alma.
No dia da cirurgia li um trecho que fechou com o meu sentimento no momento e transcrevo, logo abaixo:

A doença é o meio pelo qual um organismo se liberta, do que lhe é estranho; é preciso então apenas ajudá-lo a estar doente, a ter a sua doença inteira e escapar dela, pois esse é o seu progresso.
Não atribuir às coisas mais significado do que elas assumem por conta própria; não ver o sofrimento de fora, não chamá-lo de o "grande sofrimento"... Pois você não sabe se seu coração não cresceu com ele, se essa imensa fadiga não é o crescimento do coração. Paciência paciência, e não julgar no sofrimento, jamais julgar enquanto ele estiver sobre nós. Não temos uma medida para ele, fazemos comparações e exageramos. Rilke 
preciso dizer algo mais?


Não é isto mesmo o que estou vivendo?
Cada dia o inesperado.

1 de julho de 2010

Marisa Monte//Bem que se quis

FICO ...

Vou decretar o dia do fico, fico alegre, fico confiante, fico feliz, fico vivendo...
É o meu dia do fico, dia do fico curada!
A poesia abaixo é do Mario Quintana, recebi do meu tio Paulinho e é bem sábia...

“Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...
(Mário Quintana)