Selinho

Selinho

29 de junho de 2010

O primeiro retorno

Pela primeira vez me sinto retornando as minhas atividades normais.
Faz uma semana da última cirurgia, retirei ontem o dreno e hoje trabalhei um pouco, para distrair a mente.
Estou mais confiante, mais aliviada e na expectativa da sequência do tratamento.
Ontem participamos de um grupo de oração na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, que foi um momento muito forte de oração e de respostas as minhas indagações à Deus.
A tendência que temos é sempre perguntar: Por que eu? Tem tanta gente no mundo, e eu fui premiada com estes sofrimentos... mas ontem consegui ver nas minhas "podas" algo muito produtivo, estou crescendo como pessoa, estou relativizando os problemas e descobrindo o essencial da vida.
Descobri mil possibilidades que antes eu nem sabia que tinha.
Estou mais atenta aos barulhos e ritmos que a vida tem, as suas imagens, aos seus toques.
Mais atenta aos meus desejos, minhas vontades.
Hoje a minha missão é só uma: cuidar muito bem de mim mesma, para depois voltar a cuidar de quem precisa de mim.
Sentir o abraço das crianças na escola foi muito bom, o cheiro, os beijos molhados, enfim tudo que renova e me faz sentir mais viva e com mais coragem.

25 de junho de 2010

E-MAIL QUE RECEBI, SIMPLESMENTE LINDO

RECEBI DA VERA PIOVESAN, GRANDE AMIGA E DIVIDO COM VOCÊS...


Lú, amiga.....
 
 
Há horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade, de vazio. Questionamos o porquê de nossa existência e nada parece fazer sentido. Concentramos nossa atenção no lado mais cruel da vida, aquele que é implacável e a todos afeta indistintamente: As perdas do ser humano.
 
Ao nascer, perdemos o aconchego, a segurança e a proteção do útero. Estamos, a partir de então, por nossa conta. Sozinhos. Começamos a vida em perda e nela continuamos.
 
Paradoxalmente, no momento em que perdemos algo, outras possibilidades nos surgem. Ao perdermos o aconchego do útero, ganhamos os braços do mundo. Ele nos acolhe: nos encanta e nos assusta, nos eleva e nos destrói. E continuamos a perder e seguimos a ganhar.
 
Perdemos primeiro a inocência da infância. A confiança absoluta na mão que segura nossa mão, a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas porque alguém ao nosso lado nos assegura que não nos deixará cair... E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar. Por quê? Perguntamos a todos e de tudo. Abrimos portas para um novo mundo e fechamos janelas, irremediavelmente deixadas para trás.
 
Estamos crescendo. Nascer, crescer, adolescer, amadurecer, envelhecer, morrer.
 
Vamos perdendo aos poucos alguns direitos e conquistando outros. Perdemos o direito de poder chorar bem alto, aos gritos mesmo, quando algo nos é tomado contra a vontade. Perdemos o direito de dizer absolutamente tudo que nos passa pela cabeça sem medo de causar melindres. Assim, se nossa tia às vezes nos parece gorda tememos dizer-lhe isso.
 
Receamos dar risadas escandalosamente da bermuda ridícula do vizinho ou puxar as pelanquinhas do braço da vó com a maior naturalidade do mundo e ainda falar bem alto sobre o assunto. Estamos crescidos e nos ensinam que não devemos ser tão sinceros. E aprendemos. E vamos adolescendo, ganhamos peso, ganhamos, seios, ganhamos pelos, ganhamos altura, ganhamos o mundo.
 
Neste ponto, vivemos em grande conflito. O mundo todo nos parece inadequado aos nossos sonhos ah! os sonhos!!! Ganhamos muitos sonhos. Sonhamos dormindo, sonhamos acordados, sonhamos o tempo todo.
 
Aí, de repente, caímos na real! Estamos amadurecendo, todos nos admiram. Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados. Perdemos a espontaneidade. Passamos a utilizar o raciocínio, a razão acima de tudo. Mas não é justamente essa a condição que nos coloca acima (?) dos outros animais? A racionalidade, a capacidade de organizar nossas ações de modo lógico e racionalmente planejado?
 
E continuamos amadurecendo, ganhamos um carro novo, um companheiro, ganhamos um diploma. E desgraçadamente perdemos o direito de gargalhar, de andar descalço, tomar banho de chuva, lamber os dedos e soltar pum sem querer.
 
Mas perdemos peso!!! Já não pulamos mais no pescoço de quem amamos e tascamos-lhe aquele beijo estalado, mas apertamos as mãos de todos, ganhamos novos amigos, ganhamos um bom salário, ganhamos reconhecimento, honrarias, títulos honorários e a chave da cidade. E assim, vamos ganhando tempo, enquanto envelhecemos.
 
De repente percebemos que ganhamos algumas rugas, algumas dores nas costas (ou nas pernas), ganhamos celulite, estrias, ganhamos peso. e perdemos cabelos. Nos damos conta que perdemos também o brilho no olhar, esquecemos os nossos sonhos, deixamos de sorrir. perdemos a esperança. Estamos envelhecendo.
 
Não podemos deixar pra fazer algo quando não estamos bem. Afinal, quem nos garante que haverá mesmo um renascer, exceto aquele que se faz em vida, pelo perdão a si próprio, pelo compreender que as perdas fazem parte, mas que apesar delas, o sol continua brilhando e felizmente chove de vez em quando, que a primavera sempre chega após o inverno, que necessita do outono que o antecede.
 
Que a gente cresça e não envelheça simplesmente. Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massageie. Que tenhamos rugas e boas lembranças. Que tenhamos juízo mas mantenhamos o bom humor e um pouco de ousadia. Que sejamos racionais, mas lutemos por nossos sonhos, e pelas nossas crenças e esperanças!
 
Afinal, o que é o tempo? Não é nada em relação a nossa grande missão. E que missão! Ter Fé Naquele que tudo pode!
 
E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo, mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos, sintam-se amados mais do que saibam-se amados e você Lú é muito amada, e não são poucos os que te amam, você sabe disso!  e,
 
Apenas acredite, que tudo vai dar certo!!!!!!!!!!!!!
Bjs

Amanhã

No dia que fui fazer a retirada da prótese, fui na minha terapeuta e ela ao final da sessão, colocou esta música para eu ouvir.
Foi muito significativo, me senti com muita força e esperança. 
Tive fé que realmente o amanhã um dia vai chegar.
Enquanto ele não chega, espero, me entrego, e me acostumo a ver as minhas possibilidades, sem pensar muito nas poucas limitações que tenho.
Sou rica em possibilidades, não só eu, a humanidade é rica. Deus nos fez ricos, milionários, mas insistimos em olhar somente a pobreza do que nos limita.
Se somos ricos, também somos limitados, é a face de cada lado da moeda, da qual a nossa vida é formada; o fato é que às vezes tiramos cara, às vezes tiramos coroa.
Quando estamos por cima, o orgulho nos invade e esquecemos que temos o lado "b", se estamos por baixo também esquecemos que temos um lado "a" que pode nos ajudar a enfrentar aquilo que nos é adverso.
É humano pensar assim. O que precisamos é lembrar que em nós também há o divino que pode equilibrar a nossa moeda e a nossa existência.
Creio que hoje buscarei o equilíbrio, amanhã poderei jogar a moeda sem medo.

Amanhã

23 de junho de 2010

Enfim desprendida...


Ontem fiz outro procedimento cirúrgico para terminar com o martírio de tentar a cicatrização da prótese de silicone no meu seio que tinha câncer.
Eis como estou agora: um seio lindo siliconado, perfeito e um vazio ao lado, esperando o momento de nascer de novo.
Como creio que para tudo na vida há um propósito, quem sabe esse novo seio precise ser "gestado", por mais tempo, 9 meses, 1 ano, 6 meses, sei lá, não sou eu que vou decidir isso.
Me sinto bem por enquanto, ainda não vi o corte da cirurgia, cheguei hoje do hospital toda enfaixada, não sai ainda, para saber se terei ou não vergonha deste vazio. O que é fato é que me desprendi totalmente da preocupação de manter algo que não queria ser mantido no meu corpo.
Também é fato que sou exclusiva em algumas situações, pois a perda dessa prótese foi algo "bizarro" e inacreditável e é por isso mesmo que não vou dizer aqui como foi, ninguém acreditaria...
Em contrapartida de tão rara é a tal situação que passei a jogar na Mega Sena, vai que essa exclusividade se manifeste? Fico rica de uma hora para outra.
 De novo pego as palavras da minha querida Adélia Prado: me sinto a cada dia mais rica em humanidade. É um momento de muito choro, muita alegria, muito amor, muita dor, tudo ao mesmo tempo e quase sem "intervalos comerciais".
Agradeço a todos que tem rezado para que eu tenha a força necessária para superar os desafios que a cada dia se colocam na minha vida.

21 de junho de 2010

Halo

Uma homenagem ao meu marido verdadeiro anjo da guarda, enviado para me ajudar!!!

Luz do Amor

Lembra-se daquelas paredes que eu ergui?
Bem, baby, elas desmoronaram
E elas nem resistiram à queda,
E a queda nem sequer foi barulhenta

ainda não encontrei uma maneira de te deixar entrar
Mas eu realmente nunca tive dúvida
Quando em frente da luz da sua Aureóla
Eu tenho o meu anjo agora.

É como se eu tivesse sido despertado,
Tantas regras eu tive que quebrar
É grande o risco que estou correndo
Eu nunca vou te deixar de lado.

Em Todo lugar que estou olhando agora
Você me cerca com o seu abraço
Baby, eu posso ver a seu rosto
Você sabe que é a minha graça salvadora,

Você é tudo que eu mais precisava,
Isso está escrito em todo o teu rosto
Baby, eu posso sentir a sua Aureóla,
Eu não quero que ela não desapareça.

Eu posso ver a sua Aureóla Aureóla Aureóla
Eu posso ver a sua Aureóla Aureóla Aureóla
Eu posso sentir a sua Aureóla Aureóla Aureóla
Eu posso ver a sua Aureóla Aureóla Aureóla

Me atingiu como um raio de sol,
A queimar através da minha escura noite
Você é o que eu desejo.
acho que estou viciando em te amar


Beyoncé - Halo™ (legendado - tradução)

18 de junho de 2010

Como é que a vida tem te tratado?


Eu estava naqueles dias deprimentes me sentindo a última das criaturas na terra, achando que enfim estava dando tudo "errado", que eu estava vivendo em meio a uma tempestade que parecia não ter hora, nem dia para acabar.
Meus pensamentos eram: eu quero que cicatrize a ferida do seio, eu quero não sentir dor, eu quero, eu quero e eu quero...
Foi  quando a personagem da série de TV: "A vida Alheia", faz uma pergunta a outra personagem:
- E  aí querida , como a vida tem lhe tratado?
Tive que rir, com o tom de voz, com o contexto da pergunta, que agora não vem ao caso. Mas o fato é que a pergunta me pegou de cheio...
Comecei a pensar como a vida tem me tratado, a fazer um balanço de tudo que já ganhei e tudo que já perdi.
Descobri algo maravilhoso a vida tem sido generosa comigo, não pouco, mas muito generosa.
Quem lê isso deve pensar, está louca, pois está doente, com uma cicatriz no peito, aberta, terá que fazer quimioterapia, teve câncer, perdeu o seio, a vida nunca mais será a mesma; e a vida foi generosa com ela?
Também estava me sentindo assim vítima das circunstâncias, talvez tenha sentado nesse banquinho de vítima por alguns dias...
Mas comecei a mudar o foco do meu pensamento e pensar nas possibilidades de uma nova vida cheia de mudanças e o que elas de fato podem me oferecer...
Há algo muito mais do que as lágrimas que inevitavelmente ainda terei que derramar, há uma vontade de viver, de crescer, de aprender, algo novo, descobri que não estou parada, estou em pausa.
O meu organismo solicitou esta pausa e vou respeitá-la.
O que a vida já me deu?
Primeiro uma fé muito grande em um Deus misericordioso, atento as minhas necessidades, que nunca me deixou na mão.
Depois o amor de uma família unida, com marido amoroso e filhos igualmente amorosos.
Muitos, muitos amigos, como me disse um, esses dias: - Tu sabes que tens um batalhão rezando por ti.
O câncer também traz a chance do nosso auto conhecimento, descobrimos de fato quem somos, quais os nossos medos, nossos sonhos, nossos fracassos e temos que encará-los por mais doloridos que sejam.
Nos dá a chance de viver uma vida mais verdadeira, mais intensa.
Começamos a perceber e valorizar as pequenas coisas do dia a dia. Sempre gostei muito do mar, da praia, da areia nos pés, agora isso tem o valor redobrado.
Comecei a torcer pelos dias com sol... Mas também a adorar o barulho da chuva.
Quando olho para meus filhos também percebo cada detalhe, cada gesto, e vejo neles muito de mim.
Olho para o meu amor, único homem que já tive na vida e que o é, desde os meus treze anos de idade e me comovo, com o seu otimismo, a sua calma, o seu cuidado e ainda por cima o seu "querer" por mim, em meio a tantas cicatrizes e curativos.
Enfim a vida tem me tratado muito bem obrigada...
Se tenho pedras no caminho? Me junto à Fernando Pessoa: guardarei todas e um dia vou construir um castelo.

14 de junho de 2010

Presença


Eis algo que aprendi: quando estamos em um momento difícil, tudo de que precisamos é de uma presença física, acolhedora e afetiva.
Julgamentos não ajudam e não são absolutos, é tão fácil julgar o que não se está vivendo ou acompanhando.
Julgar os médicos, os procedimentos, não fará a mínima diferença, pois cada pessoa tem um organismo único que reage de uma forma para cada situação.
Inúmeras cirurgias são realizadas diariamente com retirada do seio e colocação de prótese, a maioria, não forma seroma e cicatriza rapidamente, a minha está um pouco mais complicada, mas também foi um sucesso.
Creio que às vezes nas conversas estão torcendo para o "jacaré" e não para a minha recuperação. O "jacaré" seria aquilo que cremos que vai dar errado pois não acreditávamos que tudo poderia sair tão bem. (Como assim com câncer e melhor do que era?)
Como já disse antes parece que quando digo que estou mal, as pessoas se sentem aliviadas, será possível torcer para o sofrimento?
Nesta hora o que eu preciso é de muita oração de muitas pessoas dizendo que vai dar certo e de que enfim , que concordam comigo, porque eu não me entrego a tristeza, mesmo que ela apareça, vez ou outra.
Que fiz a minha parte do ponto de vista físico com trinta dias em casa, em repouso e que que bom que estou cuidando da mente, continuando a celebrar momentos importantes, viajando, vivendo enfim, pois, se a vida esta aí, a minha disposição, vou vivê-la da melhor forma possível.
Não estou sentenciada e mesmo que estivesse, viveria até a última gota de vida que Deus me permitisse.
Se as coisas  estão mais lentas, não podemos fazer nada, só nos cabe ter paciência e esperar, porque há um fim para tudo.
Podemos oferecer o colo, o afago, o sorriso, a piada, a declaração de amor...
Meu marido tem sido incansável, meus filhos também, não falamos da doença, ela já não vive conosco.
O que vive é uma ferida que está custando a cicatrizar.
O câncer já foi embora e não há motivos para se entregar a depressão por causa dele.
A ferida é o que hoje me deprime; mas sei que toda ferida cicatriza e a minha também vai cicatrizar.
Já percorri a internet a procura de explicações, porém não consegui nenhuma.
A mais plausível que me ocorre é a aceitação de um tempo que não depende mais de mim, e sim do meu corpo, de minhas enzimas, meus vasos sanguíneos e espero que eles sejam como eu incansáveis e que trabalhem dia e noite para que a cicatrização finalmente ocorra!

7 de junho de 2010

CHORO

Ontem tive a primeira crise de choro, aquelas de soluçar mesmo, já chorei antes pela situação, mas não como  dessa vez.
Terminei de escrever sobre a paciência e parecia que tinha elaborado bem a questão, mas de repente, elas vieram a tona e explodiram na minha face como se fossem uma bomba, não conseguia parar de chorar, chorava por tudo e por nada ao mesmo tempo.
Fiquei menstruada com uma cólica do cão, o que é bem normal no meu caso, mas fiquei muito deprimida, será que neste mês eu não poderia ter sido poupada da cólica menstrual?
Chorava porque sangrava por baixo e chorava porque meu seio vazava o tal líquido.
Tinha que ser por cima e por baixo?
Mas aí tentei reagir, fiz uns exercícios de respiração, me acomodei bem perto do Marcelo, que tentava me consolar e fui me acalmando aos poucos.
Ainda estou assim meio "down", mas acho que é bem normal, faz parte do processo de transformação esta dor que às vezes nos invade sem pedir licença e fica lá até quando acha que já conseguiu nos ensinar algo.
A minha ainda está sentada no sofá da sala, mas não por muito tempo.
Não tenho vocação para depressão, vou dar um jeito de mandá-la embora ligeirinho.
Se for preciso vou até gritar para ela sumir do mapa e ficar um tempo mais afastada.
Mas ela volta, a gente sabe que volta.
Porém já estarei mais forte, já vai ter passado a menstruação, já terei liquidado com o seroma e ela não vai me pegar tão forte.
Vou chorar muito ainda, mas as lágrimas existem, para o coração não explodir, Deus nos fez perfeitos até nisso.
Vou ter que vazar também pelos olhos...
Paciência de novo.
Confiança,
Fé.

A VIDA ME ENSINOU

UM LINDO TEXTO PARA REFLETIRMOS, RECEBI DA MINHA AMIGA ROMINA, DO EDUARDO E DO BAUTISTA.
BOM INÍCIO DE SEMANA!!!!

"A vida me ensinou..
A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas",
embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher."
Charles Chaplin

6 de junho de 2010

Paciência

Hoje preciso renovar o dom da paciência. Quero muito a cicatrização do meu seio, mas por alguma razão ela não está acontecendo como eu previa,  inesperados são o meu dia a dia agora.
Estou cansada quero "mudar de fase no jogo", mas não consigo avançar.
Já perguntei aos médicos se eu fiz algo que pudesse ter favorecido a lenta cicatrização e eles sempre respondem, que não, cada caso é um caso.
O fato é que é extremamente violento ver a cicatriz todos os dias e ter que lidar com isso sem pensar em coisas desagradáveis. estou fazendo um esforço para manter o pensamento positivo, para não me entregar a depressão, saio me divirto, vou a aniversários, mas sempre com a preocupação, vai manchar a roupa?
Às vezes acho que o líquido que sai do seio (seroma), são lágrimas, parece que o seio chora, se digo isso aos médicos vão achar que estou louca. Mesmo assim rezo peço para ele aceitar a nova função no meu corpo.
Para não deprimir-me tenho feito algumas coisas: evito pessoas negativas, tento conviver com quem me diz que tudo dará certo e mesmo assim nada das lágrimas do peito pararem.
Paciência é hoje a minha palavra de desafio.
Vou tentar puxá-la, lá de dentro de mim e fazê-la subir a superfície para que com a ajuda dela possa jogar esse jogo, aprendendo mais em cada fase, ainda não mudei a fase do jogo, mas se tiver paciência, mudarei no tempo oportuno.
De novo, devo aprender um dia de cada vez...
Vou me centrar no momento atual, este é o momento de viver essa fase, sem tentar apressá-la.
Me lembrei da lagarta no casulo e o que acontece se tentamos ajudá-la a se tornar mais rapidamente uma borboleta.
Me convenço então (e é para isso que escrevo) que vou respeitar este tempo, sem tentar controlá-lo.
De novo quero controlar aquilo que não depende de mim e sim de um conjunto de coisas das quais desconheço a maioria.
Tenho que me livrar da onipotência, da idéia de que posso resolver tudo.
Tenho que lidar com a minha ignorância e deixar de lado o orgulho de tentar descobrir explicações, para o que não tem explicação.
Neste dia me entrego a força de Deus, que será a minha única fortaleza e vou tentar não pensar mais no tempo humano, mas me entregar ao tempo de Deus.

3 de junho de 2010

COMER REZAR E AMAR NO RIO DE JANEIRO




NA SEMANA QUE PASSOU FUI ATÉ O RIO DE JANEIRO ME PREPARAR PSICOLOGICAMENTE, PARA UMA NOVA FASE DO TRATAMENTO: A QUIMIOTERAPIA.
PRECISAVA MUDAR DE ARES, RESPIRAR COISAS NOVAS, COMER ALGO DIFERENTE E CURTIR O MEU MARIDO.
ESTOU LENDO COMER, REZAR E AMAR, UM LIVRO MUITO BOM, SOBRE EXPERIÊNCIAS QUE DEVERÍAMOS NOS PERMITIR SEM MUITAS CULPAS.
SENTI UM CERTO ESPANTO POR PARTE DOS AMIGOS E DA FAMÍLIA, COM A MINHA DECISÃO DE VIAJAR. ME PARECE QUE O QUE DÁ IBOPE MESMO É O SOFRIMENTO.
PARA QUE TODOS SE TRANQUILIZEM, EU DIGO: ESTOU SOFRENDO SIM, MAS DO MEU JEITO. VIAJAR PODE ATÉ SER UMA FUGA, SEI LÁ...
ESCOLHI VIVER CADA DIA, COMO ELE SE APRESENTA. EU ESTOU BEM, PORTANTO POSSO VIAJAR, POSSO CONHECER COISAS NOVAS E PRECISO DE TEMPO LIVRE, PARA PENSAR SOBRE ESSA GRANDE MUDANÇA DE VIDA, PORQUE SE EU NÃO MUDAR O CÂNCER VOLTARÁ. E A CERTEZA QUE TENHO É QUE FAREI O POSSÍVEL PARA QUE ELA NÃO RETORNE, AGORA SÓ POSSO FAZER O POSSÍVEL, O IMPOSSÍVEL ENTREGO NAS MÃOS DE DEUS.
AINDA NÃO ESTOU COM A CICATRIZAÇÃO COMPLETA O QUE ME RETIRA UMA SÉRIE DE TAREFAS QUE ME DARIAM MAIS AUTONOMIA. ESTOU VIVENDO UM EXERCÍCIO DE PACIÊNCIA.
SER PACIENTE, TOLERANTE E AGUARDAR A BOA VONTADE DE ALGUÉM PARA ME AJUDAR, TEM SIDO UM APRENDIZADO E TANTO.
SEMPRE FUI MUITO INDEPENDENTE E AGORA PRECISO ACEITAR QUE PRECISO MUITO DOS OUTROS. AJUDAR É MUITO FÁCIL, RECEBER AJUDA REQUER, DEIXAR DE LADO O ORGULHO E PEDIR.
TEM SIDO MUITO BOM RECEBER AJUDA, PERCEBER QUE NÃO ESTOU SÓ, VIVO RODEADA DE GENTE QUE ME AMA E TORCE POR MIM.
RECEBO VISITAS QUASE DIARIAMENTE.
RECEBO FLORES QUASE TODOS OS DIAS.
RECEBO E-MAILS DE ENCORAJAMENTO.
RECEBO CUIDADOS BÁSICOS DA MINHA FAMÍLIA.
RECEBO MUITO ENFIM...
VOU COMPARTILHAR AS FOTOS DO NOSSO PASSEIO COM VOCÊS QUE TEM ALEGRADO OS MEUS DIAS...
BJ

Momento de Reflexão - Você Aprende - Veronica Shoffstall