Selinho

Selinho

1 de maio de 2010

I will survive

Sempre gostei da música de Gloria Gaynor: I will survive, pelo  o que o refrão dizia:
eu vou sobreviver, eu vou sobreviver.
Isto porque sempre me considerei uma sobrevivente quase de guerra, aqui um segredo: sou uma gata, tenho sete vidas, pois tive muitas doenças infantis, que ficaram marcadas na memória e um acidente que ficou marcado no corpo. Entretanto nunca me senti vítima, pensava: tudo bem, eu sobrevivi (I will survive).
Não só a doença me era familiar, as dores das perdas também me afetavam, sempre fui uma pessoa que sentia muito. As perdas de pessoas significativas para mim, não foram poucas, a morte soube mostrar-se na minha vida de forma muito concreta, mas parece que eu  enfrentava com mais resignação a morte do que os pequenos acontecimentos diários. Me magoava facilmente, embora não demonstrasse. Era aquela pessoa do tipo "maguary", ficava "afetada", por quase tudo, mas externamente estava tudo bem. Se alguém me dizia algo que não concordava, aquilo me afetava de forma desproporcional à importância que isso havia na minha vida, alguns anos de terapia me ajudaram a me livrar um pouco disso.
Porém vejo que isso é a minha natureza, o jeito como vejo as coisas, eu simplesmente me importo com quase tudo que acontece com as pessoas e com este planeta.Sei que é tri legal se importar, porque aí vamos para a ação e realizamos projetos,e ouvimos as pessoas e sentimos que de alguma forma fazemos a diferença. Sei que faço a minha parte, não é momento para falsa modéstia.
O que está errado é a minha energia ficar devassada em relação a essa ajuda, descobri que me sinto "sugada" em alguns momentos e talvez por isso o câncer tenha tido chance comigo. É só um talvez porque não me sinto culpada neste momento de ter ficado doente. No início sim, achava que eu era um tipo meio onipotente e que tinha poderes, que é óbvio não possuo, inclusive aquele de fabricar doenças. Acredito que somos resultado de nossas escolhas, porém culpa para o paciente com o câncer é um dos melhores meios de piorar. Por isso visitei minha terapeuta e livrei-me dela: a culpa.
Porém agora quero dizer que ele, o câncer, não terá mais vez, pois eu sobrevivi a cirurgia que retirou todo o tumor e vou sobreviver a quimioterapia, a perda dos cabelos, ao tratamento de cinco anos.
Outra coisa não tenho medo de dizer o nome da doença, isso daria a ela um poder que ela por si só não possui, era câncer sim, mas foi embora.
É quase uma guerra e conto com toda a minha tropa: a graça de Deus, que me quer feliz e curada,os meus médicos que tem sido um exército e tanto, a minha família, os meus amigos, as orações de outros por mim em momentos difíceis, porque sei que estes vão existir. Enfrentarei tudo com dor, mas sem sofrimento, pois como diz o poeta Carlos D. de Andrade: " A dor é inevitável o sofrimento é opcional."
Para encerrar um trecho adaptado por mim e traduzido de  I will survive, que eu canto bem alto para o câncer que estava morando em mim:
Vá agora, saia pela porta.
Apenas vire-se agora,
(Porque) você não é mais bem-vindo.
Não foi você quem tentou
Me matar?
Eu me desintegrei em pedaços?
Você pensou que eu deitaria e morreria?
Oh não, eu não. Eu vou sobreviver...
Enquanto eu souber como amar,
Eu sei que permanecerei viva.
Eu tenho minha vida toda para viver,
Eu tenho meu amor todo para dar e
Eu vou sobreviver,
Eu vou sobreviver...






2 comentários:

  1. lindo blog! não conhecia. Adorei... parabéns pela coragem em expressar e colocar para fora! bjs
    Vanessa

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