Selinho

Selinho

25 de maio de 2010

Shakira-Gitana (Gipsy) Official Music Video! ♪♫

SOMOS CIGANOS NESTE MUNDO, VIVEMOS EM MUDANÇA PERMANENTE


Sinto que a cada dia uma nova coisa em mim se transforma, é o ciclo da vida, se renovando, fazendo podas necessárias, perco por um lado, ganho de outro, me sinto hoje mais livre e determinada, isso não significa que estou menos comprometida, ao contrário.
Essa música tem uma sabedoria: todos somos ciganos; e estamos de passagem e portanto viva com intensidade cada segundo da sua vida, não perca tempo.
Vou marcar o que acho mais significativo:


cigana:

Nunca usei máscara
Vou de passagem
Por esse mundo efêmero

Eu não pretendo parar
Diga-me quem anda
Quando se pode voar?


Meu destino é andar
Minhas lembranças
São um rastro no mar

O que eu tenho, eu dou
Eu digo o que penso
Leve-me como sou

E vai leve
Meu coração cigano
Que só entende de ladrar
Na contramão
Não tente me amarrar
Nem me dominar
Sou eu quem escolhe
Como errar


Aproveite de mim
Porque se eu cheguei aqui
Posso ir amanhã
Pois sou cigana
Pois sou cigana


Sigo sendo aprendiz
Em cada beijo
E com cada cicatriz


Algo pude entender
De tanto que tropeço
Já sei como cair


E vai leve
Meu coração cigano
Que só entende de ladrar
à contramão
Não tente me amarrar
Nem me dominar
Sou eu quem escolhe
Como errar

Aproveite de mim
Porque se eu cheguei aqui
Posso ir amanhã
Pois sou cigana

Vamos e vemos
Que a vida é um prazer
É normal que se temas
O que não conhece

Leve-me e vamos
Que a vida é um prazer
É normal que se tema
O que não conhece
Quero te ver voar
Quero te ver voar


E vai leve
Meu coração cigano
Que só entende de ladrar
à contramão
Não tente me amarrar
Nem me dominar
Só eu quem escolhe
Como errar

Aproveite de mim
Porque se eu cheguei aqui
Posso ir amanhã
Pois sou cigana


24 de maio de 2010

Sobre a Dor

Às vezes precisamos das palavras contidas na poesia para expressar o que estamos sentindo no momento, hoje pego emprestado os verso de Adélia Prado, grande poeta: 
"Dor não tem nada haver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade."
É assim que me sinto hoje: mais rica de humanidade, mais autêntica, usando menos máscaras, mais perto de mim mesma, das coisas e das pessoas que eu gosto. Não quero ser amarga, mas quero o direito de de vez em quando poder transbordar as minhas lágrimas sem julgamentos alheios, aliás, agora estou centrada em mim mesma, buscando um equilíbrio que me leve a viver cada minuto com calma e talvez pela primeira vez em 41 anos, olhando primeiro para mim. É um aprendizado a cada dia. Esses dias fui em um salão de beleza, ver uma peruca, para quando iniciar a quimioterapia e perder os meus cabelos, e a pessoa que me atendeu me disse a seguinte frase: "Calma não abra o telegrama antes da hora". Achei de uma sabedoria incrível, viver o momento em outras palavras. Durante muito tempo meu lema foi "CARPE DIEM", que significa "Colha o dia", tenho tentando colher o dia, um por vez, cada dia fazendo um balanço, meditando, mas principalmente vivendo, com uma grande sede.







19 de maio de 2010

Presentes

Oi gente, nestes dias diferentes que tenho vivido tenho recebido muitos e-mails de oração de conforto
e de apoio, agradeço de coração!!
Hoje quero postar dois: um desenho que recebi da Ana Tereza e foi minha aluna do Berçário até o Jardim B;

e outro uma foto da Luana que foi nossa aluna tbém do pré-maternal ao jardim A.

17 de maio de 2010

confiança

CONFIANÇA NA GRAÇA DE DEUS! EU TE LOUVO PELA MINHA VIDA!

16 de maio de 2010

Jota Quest -- Vem Andar Comigo - Clipe Oficial

Skank -- Sutilmente - Clipe Oficial ( Melhor Clipe - VMB 2009)

Sutilmente

Estou um pouco "chorona" hoje acho que é o efeito retardado da situação, sempre tenho reações "retardadas" e não adiantou pintar os cabelos e ficar mais morena, continuo sentindo as coisas depois que já passaram.
Na verdade tenho conversado muito com os meus médicos: Dr Ana e Dr. Leonardo e os dois me alertaram para a necessidade de sentir o momento, não é hora de máscara de mártir, até porque estou longe de ser ""santa".
Mas às vezes se é a gente é  forte e determinada a família não aceita que tenhamos algumas crises de choro, eles não estão acostumados com isso, principalmente na minha casa onde só tem homens, fica meio complicado, eles se atrapalham, não sabem muito o que dizer. Mas sei que eles terão que dar conta, é hora de me cuidar e me deixar ser cuidada.
Apesar disso tenho tido as minhas crises de choro, não muito frequentes, porque acho que tenho um bom astral, sou uma pessoa de fé, tenho fé em Deus, na vida e nas pessoas, gosto de crer que tudo vai sempre dar certo, seja do jeito que termine.
Foi aí que o Dr Leonardo recomendou a música Sutilmente do Skank, que se encaixa perfeitamente na minha situação, resolvi então que passarei para a minha família a letra da música para que saibam como agir comigo neste momento.

Sutilmente

Skank

Composição: Samuel Rosa / Nando Reis
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

12 de maio de 2010

Serenata surpresa para mim












No dia 8 de maio recebi uma serenata dos pais da escola, familiares, amigos e filhos... 
É só uma amostra do que tinha de gente!
Obrigada,
Amo vocês!!!











A música escolhida foi esta:
Só hoje - Jota Quest

Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito
Nem que seja só pra te levar pra casa
Depois de um dia normal...
Olhar teus olhos de promessas fáceis
E te beijar a boca de um jeito que te faça rir
(que te faça rir)

Hoje eu preciso te abraçar...
Sentir teu cheiro de roupa limpa...
Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz!

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua!
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria...
Em estar vivo.

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar...
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia...
Que eu faço tudo errado sempre, sempre.

Hoje preciso de você
Com qualquer humor, com qualquer sorriso
Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje

(solo)
Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua!
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria...
Em estar vivo.

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar...
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia...
Que eu faço tudo errado sempre, sempre.

Hoje preciso de você...
Com qualquer humor, com qualquer sorriso!
Hoje só tua presença...
Vai me deixar feliz.
Só hoje (repete 2x)

11 de maio de 2010

Cansaço

Começou a bater o cansaço, ando com sono e sinto que este é o momento de descansar de me permitir enfim relaxar.
É normal nos sentirmos assim, após uma situação estressante, hoje acordei já meio cansada.
Faz parte, é preciso só relaxar, tirar uma soneca e recuperar o sono perdido de vários dias.
É o que farei agora!
bjs

10 de maio de 2010

Mãe


Ser mãe, que coisa mais maravilhosa e complicada.
Não existe nenhuma experiência maior na minha vida do que a experiência de ter gerado meus três filhos.
Fui uma mãe que adorava estar grávida, mesmo com 30 kg a mais, me sentia linda.
Quando eu estava grávida me sentia plena e muito feliz.
Adorei cada momento, mas alguns foram muito marcantes.
Como por exemplo: ouvir os batimentos cardíacos, ver os movimentos na ecografia, tomar consciência que tinha algo vivo dentro de mim e que este "algo" dependia exclusivamente do que o meu corpo fornecia.
Depois o momento dos primeiros movimentos, aquelas ondas de pés que se formam na barriga, ficava deitada, simplesmente sentindo os movimentos.
Fui silenciosa durante a gravidez, confesso que eu não era uma mãe que conversava com os guris dentro da barriga; eu simplesmente comunicava pelo meu afago e pelo meu estado de ânimo. As minhas gestações foram tranquilas, tive infecção urinária em duas, mas tudo dentro do controle, pressão sempre normal.
Alguns dias sentia mais sensibilidade, mas não sei se tinha a ver com a gravidez, sempre fui muito chorona mesmo, choro até em propaganda de margarina.
Fiz o primeiro enxoval, o do Raphael, todas a mão. do Fellipe fiz duas roupinhas, e do Gustavo a vida era diferente, não consegui fazer nenhum sapatinho...
Mesmo assim adorei cada gestação cada uma a seu jeito.
Sempre soube que seriam homens, intuição feminina, meu marido ansioso por uma menina e eu dizia é outro guri.
Ser mãe de meninos é muito bom!
Somos o primeiro amor deles e temos que ter muito cuidado com isso, pois de certa forma determinará as escolhas amorosas na adolescência e vida adulta.
A fase da amamentação eu reconheço que é a mais difícil, dói muito, ficamos "presas" à vontade e fome deles, mas não há nada maior que o olhar de um filho na hora da amamentação, é algo divino. Amamentei os três, dois até os dois anos e um até um ano de idade.
Por isso sempre amei meus seios que nutriram por muito tempo fisicamente e emocionalmente meus filhos; foi a amamentação que ajudou a construir o laço afetivo que temos hoje.
Hoje tenho um adolescente e dois adultos e sou uma mãe muito "coruja".
Meus filhos são especiais (toda mãe acha isso rsrsrs), são estudiosos, sabem o que querem da vida, posicionados na medida certa.
Não é um mérito meu , ou não totalmente, sei que em muitos momentos errei tentando acertar.
Meu marido sempre teve consciência de que éramos responsáveis por aquelas "vidinhas".
Com eles aprendi o significado do amor incondicional, da paciência, da tolerância, da esperança.
Esperança que tudo dê certo.
Que eles possam se divertir e retornar são e salvos para casa.
Com eles e por eles sei que viverei até os verem totalmente encaminhados na vida, quero ver cada formatura,
tenho dois universitários e um no ensino médio.
Educação aqui em casa sempre foi um prazer levado a sério.
Obrigada por serem maravilhosos e estarem comigo me aguentando nestes tempos...

Novo visual


5 de maio de 2010

Retrato


Não sou tão antiga, mas fui criada por vó o que significa que o meu vocabulário é um pouco mais antigo.
Minha vó dizia: - vai tirar retrato?
Também lembro que meu avô costumava recortar as fotografias e retirar as pessoas com as quais brigava. Sempre achei muito engraçado isso, pois se não aparecesse no retrato, era como se não tivesse acontecido o momento, a relação. Sabemos que não apagamos da memória fatos ruins ou desafetos, recortando fotografias, quem dera assim fosse.
Daí fiquei pensando porque fotografamos?
Geralmente "retratamos" o momento feliz, fazemos álbuns de boas recordações. Porém a vida é cheia de boas e más recordações. E é preciso retirar aprendizado de ambos os momentos.
O que é "mau" pode ser exorcizado, se o encaramos de frente, por isso decidi fotografar a dor, para não esquecê-la, quero lembrá-la, não para senti-la de novo, mas sim para afastá-la de mim. Lá está ela no retrato, neste momento se torna passado sem nenhum poder sobre o presente.
Assim também ocorre com os fatos felizes, recordamos não para recuperar a felicidade vivida no momento, que é única e não volta. Mas sim para lembrar que  é possível senti-la novamente (a felicidade); que há esperança, enquanto ainda há lembrança.

4 de maio de 2010

Como encontrei a equipe médica...


Quero hoje "documentar", "registrar" a minha gratidão à equipe médica que tem me atendido desde o dia 6 de abril de 2010.
Para entenderem como tudo começou vou narrar brevemente os fatos.
No dia 29 de janeiro de 2010 eu cai, dentro do meu quarto, saindo do banho e quebrei o braço, não só quebrei, mas também desloquei, tive que fazer redução, que é colocar o osso no lugar na marra, foi bem dolorido, uma coisa! Fiquei mais ou menos 50 dias engessada, no calor deste verão que fez "50 graus" .
Me culpando por ter sido tão "boca aberta", como isso tinha acontecido logo comigo, que não ando de moto, para não cair, não ando à cavalo para não cair, cuido a velocidade do carro, quando dirijo, para não me acidentar, não bebo, para não vomitar, logo eu tão previdente, tão responsável. Tive que reduzir minha jornada de trabalho e tive que depender do meu marido para tomar banho, comer, me locomover...
Era o primeiro golpe no meu orgulho.
Em final de março, retirei o gesso e disse: - tudo bem o ano vai começar.
Porém tinha notado que em algum momento deste período em que estava engessada, que o meu mamilo do  seio esquerdo tinha "amassado", achei até graça, disse para as pessoas:
- Era só o que faltava, estou com sorte mesmo, mais uma coisa para ver , o gesso deformou o mamilo!
Resolvi então fazer a mamografia e ecografia mamária, estava na época, tinha feito em março de 2009. Durante o exame notei que a médica não gostou do que viu e tive que repetir duas vezes as chapas do exame.
No dia 01 de abril (tinha que ser o dia dos bobos), peguei o resultado do exame e lá estava o nódulo com aproximadamente 2 cm. Resolvemos eu e o meu marido, não contar nada para ninguém, enquanto não tivéssemos certeza, era quinta-feira santa e queríamos aproveitar o feriado da Páscoa, sem pensar nisso.
Rezei para que Deus me iluminasse na escolha de uma boa mastologista que se interessasse por mim.
Foi aí que a Dra Ana Paula Muller  foi enviada a mim. Sim tenho certeza que ela  foi escolhida a dedo, em função das minhas preces. Na primeira consulta fui sozinha e quando a vi pela primeira vez eu tive uma confiança e uma certeza que era ela a médica que me cuidaria daquele momento em diante. Após o exame clínico e a constatação que na mamografia não haviam boas notícias e que não havia nenhuma relação com a fratura do braço e com o gesso por cima do mamilo, e sim com um tumor que o havia retraído. (Descobri que aquilo que aparentemente era um azar (quebrar o braço) era na verdade uma salvação, pois não teria prestado atenção no meu seio se algo não tivesse acontecido) A biópsia foi marcada e eu fiz o exame no mesmo dia. Quando sai da consulta, a Dra Ana me entregou um cartão e me disse:
- Eu gosto que as minhas pacientes tenham todos os meus telefones. Naquele momento me senti acolhida, escolhida, eu já era dela. Isso faz uma enorme diferença quando estamos fragéis diante de uma situação inesperada.
E eu que até então discursava na escola  sobre a importância de se educar para o inesperado, baseada no meu estudo sobre Edgar Morin, filósofo francês, que escreveu os sete saberes necessários à educação do futuro, era completamente "derrubada" pelo inesperado.
Porém não estava sozinha tinha alguém para naquele momento me levantar e dizer que era possível enfrentar a situação e dar conta dela.
Fiz a biópsia, já na companhia do meu marido e de novo o médico foi especial, perguntou se estava tudo bem, olhou para mim, me entregou um cartão com o número do seu celular e aí eu pensei:
- Ferrou!!!****! Deve ser grave mesmo, pois o olhar do médico era de complacência.
No dia seguinte fui fazer outros exames e o resultado da biópsia tinha ficado pronto.
Graças a Deus, a Magali, minha comadre tinha aparecido lá na escola para ver como eu estava e foi junto comigo fazer outros exames, eu não esperava o resultado tão rapidamente, quando li o exame lá estava:
Carcinoma ductal infiltrante
Levei um choque, ainda bem que sempre tem um anjo comigo. Deus  neste momento convocou um exército de anjos, para que ninguém fique sobrecarregado para me ajudar. Conseguimos rir do diagnóstico, vimos que além de carcinoma, tinham duas palavras difíceis e que pareciam más notícias: ductal e infiltrante. E depois vimos que eram bem ruins mesmo.
Neste momento parei e pensei: -Deus, olhe para mim, apesar da boa formação (convencida, né), eu sou loira, devo ter o gene da burrice em algum lugar pois não estou entendendo a linguagem dos sinais, dá para ser mais específico? Porque está dando tudo tão errado?
Foi então que a Magali me lembrou de que pior do que a minha situação, era a dos meus pais que tem passado por muitas provações e que já tinham enterrado uma filha e um neto. Naquele momento decidi pelo caminho da cura.
Neste caminho resolvi cuidar de mim, terei que retirar o seio, ok, mas vou merecer uma barriga nova e fui lá consultar com o Dr. Leonardo D´Aló, que foi quase um psicólogo, me ouviu, me entendeu, me explicou que faria de tudo para me deixar mais bonita. Me fez acreditar que eu merecia uma compensação. E o resultado está ficando ótimo.
Vocês podem achar que é uma futilidade pensar em beleza em uma hora dessas, mas neste momento, tudo o que eu precisava era de uma mega, super injeção na minha autoestima e foi o que aconteceu.
Também agradeço o Dr Renato anestesista que ficou uma hora e meia nos explicando o procedimento e nos convencendo que o risco era mínimo. Dizia ele, que o procedimento cirúrgico era para refazer a redação de uma página da minha vida, tem forma mais delicada de dizer algo "simplesmente complicado" que é uma cirurgia?
Agradeço também ao meu ginecologista e a sua esposa: Dr Victor Hugo Rangel e Ana Rangel, que me ligaram, me incentivando e apoiando, ele que me acompanha desde os meus 20 anos.
Enfim Deus entregou dons preciosos nas mãos de pessoas, algumas destas se tornaram médicas e hoje ajudam a reconstruir vidas.
Obrigada a todos vocês que tem participado deste momento de aprendizado que tenho vivido.
Que Deus abençoe a família de vocês.

3 de maio de 2010

Documentar


Resolvi documentar tudo o que ocorre comigo, não só neste momento mas em outros também , já pensou se a doença do alemão me pega? rsrsrs
Assim não esquecerei nada que tenha acontecido comigo, ou melhor a memória é seletiva guardarei pelo menos o que for relevante.
Tem coisas que não quero esquecer, como por exemplo, o carinho e a paciência do meu marido por mim neste momento, o olhar de amor dele tem me abastecido muito.
Não quero esquecer o carinho dos meus pais, estes tão sofridos, porém tão disponíveis sem desistir nunca de ajudar.
Não quero esquecer os conselhos da minha vó, sempre tão preocupada comigo.
Não quero esquecer a companhia dos meus filhos que tem permanecido em casa muitas vezes comigo, às vezes sem dizer nada, mas sendo presença na minha vida. "Estar com" eis uma coisa importante.
Não quero esquecer do carinho da família toda, que me visita, me liga, torce por mim, reza por mim.
Não quero esquecer da disponibilidade dos amigos que estão se doando a mim, alguns mais, outros menos, de acordo com a possibilidade de cada um, sem medida, isso tem sido muito bom.
Ontem uma amiga, me deixou uns dvds do Padre Fábio de Mello e um deles falava sobre amizade e de como é bom ser predileto de alguém.
Me sinto predileta também de Deus neste momento em que vivo da misericórdia dele, é a força que vem do alto que me abastece, sozinha já teria me entregue a depressão, mas me sinto fortalecida.
A história dos Saltimbancos acho que todos ou a maioria conhece, no final da história, tem uma música onde os quatro animais que são os personagens principais descobrem que juntos são fortes. Com as pessoas é assim também, pena que às vezes a gente não perceba.
Hoje me sinto protegida pela força do amor das pessoas que me querem bem.
Portanto acho que dá para cantar o refrão da música que é o seguinte:
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer


MARIO QUINTANA

Recebi também uma poesia da minha norinha Fabi, nestes tempos "diferentes" que tenho vivido... é uma poesia retirada do livro Lili inventa o mundo, lá vai:

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Fernando Pessoa

Hoje recebi um e-mail do meu tio querido Paulinho, com uma poesia do Fernando Pessoa, com a qual me identifico completamente, segue ela:


Fernando Pessoa
(Lisboa, 13 de junho de 1888 - Lisboa, 30 de novembro de 1935)


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um
oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


(Fernando Pessoa)

1 de maio de 2010

I will survive

Sempre gostei da música de Gloria Gaynor: I will survive, pelo  o que o refrão dizia:
eu vou sobreviver, eu vou sobreviver.
Isto porque sempre me considerei uma sobrevivente quase de guerra, aqui um segredo: sou uma gata, tenho sete vidas, pois tive muitas doenças infantis, que ficaram marcadas na memória e um acidente que ficou marcado no corpo. Entretanto nunca me senti vítima, pensava: tudo bem, eu sobrevivi (I will survive).
Não só a doença me era familiar, as dores das perdas também me afetavam, sempre fui uma pessoa que sentia muito. As perdas de pessoas significativas para mim, não foram poucas, a morte soube mostrar-se na minha vida de forma muito concreta, mas parece que eu  enfrentava com mais resignação a morte do que os pequenos acontecimentos diários. Me magoava facilmente, embora não demonstrasse. Era aquela pessoa do tipo "maguary", ficava "afetada", por quase tudo, mas externamente estava tudo bem. Se alguém me dizia algo que não concordava, aquilo me afetava de forma desproporcional à importância que isso havia na minha vida, alguns anos de terapia me ajudaram a me livrar um pouco disso.
Porém vejo que isso é a minha natureza, o jeito como vejo as coisas, eu simplesmente me importo com quase tudo que acontece com as pessoas e com este planeta.Sei que é tri legal se importar, porque aí vamos para a ação e realizamos projetos,e ouvimos as pessoas e sentimos que de alguma forma fazemos a diferença. Sei que faço a minha parte, não é momento para falsa modéstia.
O que está errado é a minha energia ficar devassada em relação a essa ajuda, descobri que me sinto "sugada" em alguns momentos e talvez por isso o câncer tenha tido chance comigo. É só um talvez porque não me sinto culpada neste momento de ter ficado doente. No início sim, achava que eu era um tipo meio onipotente e que tinha poderes, que é óbvio não possuo, inclusive aquele de fabricar doenças. Acredito que somos resultado de nossas escolhas, porém culpa para o paciente com o câncer é um dos melhores meios de piorar. Por isso visitei minha terapeuta e livrei-me dela: a culpa.
Porém agora quero dizer que ele, o câncer, não terá mais vez, pois eu sobrevivi a cirurgia que retirou todo o tumor e vou sobreviver a quimioterapia, a perda dos cabelos, ao tratamento de cinco anos.
Outra coisa não tenho medo de dizer o nome da doença, isso daria a ela um poder que ela por si só não possui, era câncer sim, mas foi embora.
É quase uma guerra e conto com toda a minha tropa: a graça de Deus, que me quer feliz e curada,os meus médicos que tem sido um exército e tanto, a minha família, os meus amigos, as orações de outros por mim em momentos difíceis, porque sei que estes vão existir. Enfrentarei tudo com dor, mas sem sofrimento, pois como diz o poeta Carlos D. de Andrade: " A dor é inevitável o sofrimento é opcional."
Para encerrar um trecho adaptado por mim e traduzido de  I will survive, que eu canto bem alto para o câncer que estava morando em mim:
Vá agora, saia pela porta.
Apenas vire-se agora,
(Porque) você não é mais bem-vindo.
Não foi você quem tentou
Me matar?
Eu me desintegrei em pedaços?
Você pensou que eu deitaria e morreria?
Oh não, eu não. Eu vou sobreviver...
Enquanto eu souber como amar,
Eu sei que permanecerei viva.
Eu tenho minha vida toda para viver,
Eu tenho meu amor todo para dar e
Eu vou sobreviver,
Eu vou sobreviver...