Selinho

Selinho

18 de janeiro de 2009

SOBRE CPERS X GOVERNO

Tenho assistido a grande discussão em torno das reformas que o governo pretende realizar na educação e o posicionamento do sindicato representante no caso o CPERS, e não fico admirada que não haja consenso. A educação neste país, não está planejada para a discussão de ideias, essa não é uma experiência vivenciada no sistema educacional brasileiro, com raras exceções, que são sempre de sucesso, pois onde há tolerância há crescimento. A escola se preocupa com tantas coisas, mas dentre as preocupações não está a formação do senso crítico, da argumentação bem pensada e do discernimento. A escola, na maioria das vezes, nos enfia “goela abaixo” os saberes e pede as respostas “certas” nas avaliações, muitas vezes essas respostas, não são as únicas, porém o professor não admite que haja outras possibilidades de pensar e resolver problemas. Os professores estão cada vez mais despreparados, será que é porque ganham pouco? Duvido que essa seja a questão, porque os concursos públicos sempre são tão concorridos. Assim como duvido que o CPERS, represente a maioria dos professores do RS e suas ideias, conheço muitos professores que atuam no estado e o que eles mais gostariam era encontrar na escola colegas mais comprometidos com a proposta educativa. Claro que penso que o professor deve ganhar mais, assim como outros profissionais, tais como: psicólogos, médicos, advogados, publicitários, jornalistas em início ou não de carreira. Pode ser um chavão dizer que os professores ganham mal, mas ninguém fala das vantagens: carga horária, férias prolongadas, licenças prêmio e licenças de saúde, igualmente prolongadas. E dos problemas: aulas de pouca qualidade, problemas de falta de respeito com o aluno, greves que não ajudam em nada na resolução do problema. Quando o professor é agredido, no outro dia sai no jornal, mas quando é ele que agride? Quantas palavras ásperas são ditas, quanto preconceito, quanto falta de vocação...

Aqui estou falando da minha experiência como aluna que fui, do primário à pós graduação, da minha experiência como mãe, tenho três filhos, dois na universidade e um no ensino fundamental e como pedagoga; falo de experiências vivenciadas durante a minha vida, como aluna, mãe e gestora de escola de educação infantil. Sei que não é um problema simples, aqui estou fazendo a parte de “advogado do diabo”, mas de tudo que falei, há sempre um exemplo concreto, pelo menos a citar. Não sei se me faço entender, mas é um problema que se inicia lá na educação infantil, onde deveríamos ensinar as crianças a manifestarem suas ideias e a ouvir o grupo falar. Se bem ensinada essa habilidade de ouvir e respeitar o ponto de vista do outro será carregada ao longo da vida. Mas se ao contrário, encontramos pedagogias que ainda acreditam que criança “não tem querer” e que só um jeito certo de pensar, e de resolver problemas estaremos sempre parados no mesmo lugar. Existe em Portugal, uma experiência de escola pública bem sucedida, a escola da Ponte, na cidade do Porto. Já tive a oportunidade de escutar seu idealizador Jose Pacheco, falar sobre a escola, é algo fascinante, lá as crianças, as famílias e os professores participam de todas as decisões, falam e são ouvidos e respeitados. Foi um processo dolorido de implantação, deste sistema, porém hoje o resultado mostra que estavam no caminho certo. Portanto existe sim uma solução, porém é preciso abrir os olhos para novas possibilidades.

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