Selinho

Selinho

18 de janeiro de 2009

ESCOLHAS E RELAÇÕES FAMILIARES, IMPLICAÇÕES E CONSEQUENCIAS

Escolhas e relações familiares, implicações e conseqüências

Vivemos um tempo marcado por profundas, contínuas e aceleradas mudanças, pelo pluralismo de concepções em todas as áreas de conhecimento, pelos avanços científicos e tecnológicos em todos os campos de atuação humana, pela valorização cada vez maior da autonomia, da iniciativa, da criatividade e, naturalmente, por crises decorrentes dessa nova realidade. São tantas idéias circulando, são tantas tendências se confrontando, são tantos os produtos a nossa disposição que as escutas e as escolhas se transformaram em caminhos de incertezas, de perplexidades, de paradoxos, no dia a dia das pessoas. Dentro deste contexto, está a família e no seio dela está o casal com dois papéis a cumprir (pai e mãe, marido e mulher) e estão os filhos. Hoje existe uma variada bibliografia a respeito de como viver melhor o papel de pai e de mãe. E também outra variedade de livros que pretendem ensinar como manter saudável o relacionamento entre marido e mulher. Porém nunca estivemos tão perdidos em relação ao como agir, não temos muitas certezas em relação ao exercício destes papéis. A realidade atual tem nos mostrado que não temos tido muito êxito: muitos relacionamentos desfeitos e pais e filhos com muitas dificuldades: crianças que não lidam bem com as frustrações, adolescentes violentos e jovens com dificuldades de conquistar a sua autonomia em relação aos pais.

Ao refletir sobre essas questões me deparo com a minha experiência profissional e com a minha experiência como mãe e observo que há uma habilidade que não estamos conseguindo ensinar: a habilidade de escolher. Fazer escolhas; Talvez seja a tarefa mais difícil para o a sociedade neste momento. Pois é preciso escolher também o comprometimento com o outro e o exercício da paternidade e da maternidade. Serão escolhas que de certa forma moldarão o nosso destino, nos indicando um caminho.

No caso de escolhermos o papel de pais, temos que ter consciência da seriedade deste ato: uma vez que se opta por gerar um filho, vivemos uma responsabilidade da qual não poderemos abrir mão.

Segundo Bruno Bettelheim, a tarefa mais difícil na criação de uma criança é ajudá-la a encontrar significado na vida. Isso quer dizer que ao gerar um filho precisamos ajudá-lo a dar um sentido para a sua vida, algo que o faça querer crescer, querer viver. É preciso que ele possa sentir que a vida vale a pena ser vivida, é preciso ensiná-lo a enfrentar as dificuldades e frustrações da vida com tranqüilidade e fé. Será que essa é uma tarefa fácil? Respondo como mãe, mulher e profissional, que sou, que talvez seja o desafio mais importante das nossas vidas e também o mais difícil. Porque não nascemos “pais” e nem “mães”, nascemos “filhos”. Só nos tornamos pais diante do parto. A cada parto nasce não só um filho, com ele nasce também, um pai e uma mãe. A partir da experiência do parto, o filho é apresentado aos pais e os pais ao filho. Ali pode nascer uma relação amorosa baseada em troca de olhares e afetos. Esperamos que ocorra o amor a 1ª vista! Quem conseguiu entender a dimensão deste momento não consegue expressar o sentimento de olhar pela 1ª vez o seu filho e ao olhá-lo sentir algo tão grandioso! Como explicar a riqueza dos primeiros afagos, os primeiros toques, o prazer mútuo da amamentação?

A psicologia tem nos mostrado que, em grande parte a nossa experiência de filhos determinará a forma como exerceremos nossa paternidade e maternidade, aquilo que vivenciamos lá na 1ª infância, nos ajudará a exercer melhor este papel. Também nos ajudará a sermos marido e mulher, porque sim, são dois papéis muito diferentes e ao mesmo tempo complementares. É no seio das relações familiares que poderemos estar contribuindo ou não para a criação de pessoas mais felizes. Segundo o escritor Irvin D. Yalon, “O amor entre os pais gera amor amor pelos filhos, quanto mais se ama mais isso se reflete nos filhos e nos outros de uma forma afetuosa.

Portanto a primeira escolha e a mais significativa deveria ser a escolha da pessoa amada. Deveríamos pensar: “Escolho amar essa pessoa e com ela escolho ter os meus filhos”? Uma vez feita essa escolha, será definitiva, pois o casal (marido e mulher) poderá terminar, mas o pai e a mãe permanecerão. Pais e mães jamais se separarão, eles estão unidos por toda a eternidade. Querem ver como isso é verdade: existem quatro aspectos indissociáveis ao gerarmos um filho e que nos une para sempre. Um filho nos une do ponto de vista biológico, não podemos por ocasião do divórcio pedir os nossos gens de volta eles estarão unidos para sempre naquelas células e na sua descendência. Também não há como apagar o aspecto afetivo que gerou este filho foi um momento de amor ou de prazer, estamos falando de relações de “escolhas”, não se aplica a atos forçados. Para quem acredita na dimensão espiritual, Deus enviou uma alma para ser cuidada por um pai e uma mãe, e esta alma também está unida espiritualmente a do pai e a da mãe, por toda a eternidade. E se ainda assim não estão convencidos cito que do ponto de vista social, existe o registro de nascimento que estará para sempre marcado na história da humanidade.

Para concluir proponho que pensemos nas nossas escolhas e também proponho que em casa exercitemos o diálogo na tomada de decisões. Proponho que desde cedo as crianças sejam encorajadas a pensar nas suas escolhas, dentro das suas capacidades e possibilidades. Proponho também que façamos o exercício de escolher amar o nosso cônjuge todos os dias e conseqüentemente os nossos filhos. Creio que aí, pode estar um caminho mais fácil de percorrer.

SOBRE CPERS X GOVERNO

Tenho assistido a grande discussão em torno das reformas que o governo pretende realizar na educação e o posicionamento do sindicato representante no caso o CPERS, e não fico admirada que não haja consenso. A educação neste país, não está planejada para a discussão de ideias, essa não é uma experiência vivenciada no sistema educacional brasileiro, com raras exceções, que são sempre de sucesso, pois onde há tolerância há crescimento. A escola se preocupa com tantas coisas, mas dentre as preocupações não está a formação do senso crítico, da argumentação bem pensada e do discernimento. A escola, na maioria das vezes, nos enfia “goela abaixo” os saberes e pede as respostas “certas” nas avaliações, muitas vezes essas respostas, não são as únicas, porém o professor não admite que haja outras possibilidades de pensar e resolver problemas. Os professores estão cada vez mais despreparados, será que é porque ganham pouco? Duvido que essa seja a questão, porque os concursos públicos sempre são tão concorridos. Assim como duvido que o CPERS, represente a maioria dos professores do RS e suas ideias, conheço muitos professores que atuam no estado e o que eles mais gostariam era encontrar na escola colegas mais comprometidos com a proposta educativa. Claro que penso que o professor deve ganhar mais, assim como outros profissionais, tais como: psicólogos, médicos, advogados, publicitários, jornalistas em início ou não de carreira. Pode ser um chavão dizer que os professores ganham mal, mas ninguém fala das vantagens: carga horária, férias prolongadas, licenças prêmio e licenças de saúde, igualmente prolongadas. E dos problemas: aulas de pouca qualidade, problemas de falta de respeito com o aluno, greves que não ajudam em nada na resolução do problema. Quando o professor é agredido, no outro dia sai no jornal, mas quando é ele que agride? Quantas palavras ásperas são ditas, quanto preconceito, quanto falta de vocação...

Aqui estou falando da minha experiência como aluna que fui, do primário à pós graduação, da minha experiência como mãe, tenho três filhos, dois na universidade e um no ensino fundamental e como pedagoga; falo de experiências vivenciadas durante a minha vida, como aluna, mãe e gestora de escola de educação infantil. Sei que não é um problema simples, aqui estou fazendo a parte de “advogado do diabo”, mas de tudo que falei, há sempre um exemplo concreto, pelo menos a citar. Não sei se me faço entender, mas é um problema que se inicia lá na educação infantil, onde deveríamos ensinar as crianças a manifestarem suas ideias e a ouvir o grupo falar. Se bem ensinada essa habilidade de ouvir e respeitar o ponto de vista do outro será carregada ao longo da vida. Mas se ao contrário, encontramos pedagogias que ainda acreditam que criança “não tem querer” e que só um jeito certo de pensar, e de resolver problemas estaremos sempre parados no mesmo lugar. Existe em Portugal, uma experiência de escola pública bem sucedida, a escola da Ponte, na cidade do Porto. Já tive a oportunidade de escutar seu idealizador Jose Pacheco, falar sobre a escola, é algo fascinante, lá as crianças, as famílias e os professores participam de todas as decisões, falam e são ouvidos e respeitados. Foi um processo dolorido de implantação, deste sistema, porém hoje o resultado mostra que estavam no caminho certo. Portanto existe sim uma solução, porém é preciso abrir os olhos para novas possibilidades.

10 de janeiro de 2009

Um 2009 mais leve!

O ano: 2009.
Começamos um novo ano e me pergunto se este será pesado como 2008, ou mais leve?
Tento ver a numerologia para ver se há boas previsões, será o ano de qual bicho mesmo?
Tento me agarrar as supertições que pouco acredito: vesti branco, vi os fogos estourarem, fui à praia, só não pulei as sete ondinhas porque aí já era demais...
Fiz aquilo que julgava que me protegeria, ou aquilo que acho que poderia estar sob o meu controle.
Me dou conta agora, que não a possibilidade nenhuma de controlar nada a minha volta...
Eu preciso me entregar ao novo ano, sem medo...
Sem medo de ser feliz, infeliz, de esperar, de resolver, de amar, de odiar, de sentir raiva, sem medo de sentir...
Existem muitas coisas pela frente porém só me pertence o agora , os sentimentos que neste momento me invadem , são sem dúvida contraditórios, quero controle, quero descontrole...
Uma coisa tenho certeza que quero: a leveza de espírito e de corpo, quero me sentir mais leve. Mais leve de vaidade, de orgulho de preconceitos e de inutilidades que tornam a nossa vida mais pesada e mais difícil de viver...
Quero um 2009 carregado de esperança, amor, compreensão, bons trabalhos, boas amizades e principalmente: cheio de vida e tudo o que dela decorre: alegrias, tristezas, riso, choro, ganhos e perdas. E só peço que as últimas sejam suportáveis e enriquecedoras, por mais contraditório que isso pareça.